Com foco no método pioneiro que alfabetizou trabalhadores rurais em Angicos nos anos 1960, o premiado documentário Lendo o Mundo ganha exibição especial seguida de debate sobre cinema, memória e educação.
As experiências de alfabetização de adultos conduzidas por Paulo Freire no início dos anos 1960 continuam mobilizando pesquisas, produções audiovisuais e reflexões sobre democracia. Sob a direção conjunta de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, a produção audiovisual recupera o método que transformou a realidade do interior do Rio Grande do Norte antes de ser interrompido pelo golpe militar de 1964.
Olhar para aquele período nos ajuda a entender por que a experiência de Paulo Freire ganhou uma dimensão tão maior e por que seu legado continua atual.

Memória e conscientização nas telas
A narrativa é construída por meio das memórias de participantes dos Círculos de Cultura, aliadas a imagens de arquivo e registros históricos da época. O documentário detalha o modelo pedagógico que articulava o aprendizado direto da leitura e da escrita à conquista de direitos civis, participação política efetiva e conscientização social entre camponeses que até então permaneciam à margem das decisões do país.
Além da pedagogia em si, o longa contextualiza o cenário político do Nordeste pré-golpe, caracterizado pela efervescência de movimentos sociais e pelas reivindicações de reformas de base em contraste com severas desigualdades sociais. Esse processo acabou brutalmente paralisado pela repressão política, que culminou na prisão e no posterior exílio do educador brasileiro.
Debate na Cinemateca Brasileira
A pré-estreia na Cinemateca Brasileira, marcada para 15 de setembro, às 15h30, contará com a realização da mesa “Memória, Cinema e Educação” logo após o término da projeção, às 16h45. O encontro reúne a cineasta Catherine Murphy, a produtora cultural e pesquisadora Liciane Mamede e a pesquisadora Sonia Couto Souza Feitosa, referência nos estudos freirianos.
A programação traz ainda as presenças de Gabriela Sousa de Queiroz, diretora técnica da Cinemateca, e de Marcelo Fonseca, coordenador de Educação a Distância do Instituto Paulo Freire, responsável pela mediação das discussões abertas ao público.
Trajetória e circuito internacional
A produção vem consolidando uma trajetória sólida desde sua estreia no Festival de Gramado em 2025, de onde saiu consagrada com o Kikito de Melhor Longa-Metragem Documentário. O filme acumula passagens por mais de 15 festivais e láureas como o Prêmio Corazón Feliz no 46º Festival Internacional de Nuevo Cine Latinoamericano de Havana, Melhor Filme e Direção na Mostra Humanidades do Santos Film Fest 2026, Menção Honrosa no 6º Citronela Doc e o 1st Place Feature no Defense of Democracy Film Festival 2026.
A exibição em cartaz abre uma agenda intensa durante todo o mês. O cronograma prevê sessões no exterior, no Firehouse Cinema e na conferência do Teachers College da Universidade de Columbia, ambos em Nova York, antes de retornar ao território nacional com exibições agendadas no Cine Belas Artes, na cidade potiguar de Angicos e no espaço da Ação Educativa.
Serviço
- Pré-estreia do documentário Lendo o Mundo e debate Memória, Cinema e Educação
- Data: 15 de setembro
- Horário: Sessão às 15h30; debate às 16h45
- Local: Cinemateca Brasileira
- Endereço: São Paulo (SP)
- Participantes do debate: Catherine Murphy, Liciane Mamede, Sonia Couto Souza Feitosa, Gabriela Sousa de Queiroz e mediação de Marcelo Fonseca
