O Grupo Pombas Urbanas leva “Florilégio” a Santos e Peruíbe em maio, com histórias reais da periferia paulistana, tradução em LIBRAS e entrada gratuita.
Uma das referências mais consolidadas no teatro comunitário e de rua da América Latina, o Grupo Pombas Urbanas chega ao litoral paulista com uma temporada inédita do espetáculo “Florilégio”. As apresentações são gratuitas, com tradução em LIBRAS, e fazem parte de um projeto maior de circulação cultural que leva arte de periferia para além das fronteiras de São Paulo.
A montagem nasce de um lugar muito específico: as histórias de vida de moradores e moradoras de Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste paulistana marcado por desigualdades e, ao mesmo tempo, por uma vitalidade comunitária fora do comum. É dessa tensão que o espetáculo extrai sua força.
Esperançar como ato de resistência
O fio condutor do espetáculo é o verbo “esperançar”, cunhado pelo educador Paulo Freire. Não se trata de uma esperança passiva, mas de uma postura ativa diante da vida — a crença de que transformação é possível mesmo quando tudo conspira contra. A peça atravessa memórias, violências, solidão e afeto sem romantizar nenhum desses territórios.
A diretora Vanéssia Gomes define “Florilégio” como uma metáfora sobre o acender dos vagalumes em meio à escuridão, imagem que ela toma emprestada do filósofo Georges Didi-Huberman.
Se olharmos para os vagalumes com o olhar que tínhamos na infância, podemos encarar a vida de outra maneira e compreender que não estamos sozinhos. Existe sempre uma luz no fim do túnel, apesar dos desafios em nossa existência.
A escolha dessa imagem não é casual. Didi-Huberman usa os vagalumes para falar de resistência cultural em tempos sombrios — pequenas luzes que persistem mesmo diante de holofotes que tentam apagá-las. Aplicada ao contexto das periferias brasileiras, a metáfora ganha uma camada ainda mais concreta e urgente.
Poesia que vem da quebrada
“Florilégio” não é uma peça sobre a periferia feita de fora para dentro. É uma criação que parte das próprias vozes do território, transformando experiências cotidianas — os corres, os desafios, as perdas e as alianças — em linguagem cênica. O resultado é uma obra que fala de coletividade sem idealizar e de sofrimento sem vitimizar.
Com 60 minutos de duração e classificação livre, o espetáculo é acessível em múltiplos sentidos: na entrada gratuita, na tradução em LIBRAS e na universalidade das histórias que conta. Quem já viveu ou vive em território periférico vai reconhecer. Quem não viveu vai entender um pouco mais.
O projeto integra a iniciativa “Pombas Urbanas: comunidade nas comunidades – ampliando conexões”, contemplada no Edital Fomento CULTSP – PNAB nº 27/2024, voltado à difusão e circulação de projetos artísticos culturais.
Mais informações pelo Instagram @grupopombasurbanas e pelo Facebook em www.facebook.com/GrupoPombasUrbanas
Assista ao trailer do espetáculo:
https://www.youtube.com/watch?v=toHgbn0_1XU
Serviço
- Espetáculo: Florilégio
- Grupo: Pombas Urbanas
- Entrada: Gratuita
- Classificação: Livre
- Duração: 60 minutos
- Acessibilidade: Tradução em LIBRAS
- 08 de maio de 2026 (sexta-feira), às 20h — Vila do Teatro, Praça dos Andradas, 35, Santos (SP)
- 09 de maio de 2026 (sábado), às 18h — Centro Comunitário do Jardim Veneza, Rua Teófilo Mata Filho, Peruíbe (SP)




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