De 12 a 15 de março, a Cinemateca Capitólio apresenta “A Leoa Vai à Caça”, com 15 filmes de diretoras do RS e entrada gratuita.
O ciclo de cinema “A Leoa Vai à Caça” chega à Cinemateca Capitólio, no Centro Histórico de Porto Alegre, para revelar — e celebrar — décadas de produção audiovisual de realizadoras gaúchas. Com entrada gratuita, a programação acontece de quinta-feira (12/3) a domingo (15/3), com sessões às 17h e às 19h.
Um movimento que começa agora
Idealizada por Betânia Furtado e Renata de Lélis, a mostra reúne 15 filmes — curtas, médias e longas — dirigidos por mulheres pretas, indígenas, brancas e trans. O objetivo é evidenciar o pioneirismo e a resistência de diretoras que construíram espaços de representatividade no cinema gaúcho.
A mostra se assume como início de um movimento. Ela evidencia o quanto ainda há por pesquisar, mapear, restaurar, exibir e reconhecer no cinema feito por mulheres no Rio Grande do Sul. Betânia Furtado, idealizadora da mostra
Renata de Lélis reforça a dimensão histórica do projeto: “Ao reunir inicialmente obras realizadas desde a década de 1980, a mostra propõe um arco histórico que conecta diferentes gerações de realizadoras. Os trabalhos revelam um cinema feito na urgência, na precariedade e na coragem — muitas vezes à margem dos grandes centros e dos circuitos oficiais —, mas profundamente atento às transformações sociais, políticas e culturais de seu tempo.”
Homenagem a Ítala Nandi
A primeira edição presta homenagem a Ítala Nandi, pioneira do cinema gaúcho e primeira diretora do Rio Grande do Sul a realizar um longa-metragem no estado. Seu documentário “In Vino Veritas” (1981), rodado em Caxias do Sul, abre a programação na quinta-feira às 19h. O próprio nome da mostra é inspirado em um filme não concluído de Ítala.
Programação completa
Quinta-feira (12/3) — Sessão das 19h
“O Brinco” (1989, 6min) — dir. Flávia Moraes. Uma joia presenteada vai parar na orelha errada e desencadeia uma série de revelações surpreendentes.
“In Vino Veritas” (1981, 63min) — dir. Ítala Nandi. A diretora retorna a Caxias do Sul para revisitar suas origens e a história da imigração italiana na Serra Gaúcha, tendo a uva e o vinho como fios condutores.
Sexta-feira (13/3) — Sessão das 17h
“Bola de Fogo” (1997, 45min) — dir. Marta Biavaschi. Um casal passa o feriado de Carnaval numa praia paradisíaca onde uma pequena comunidade de pescadores vive em transformação com a chegada de veranistas.
“O Último Poema” (2015, 72min) — dir. Mirela Kruel. O documentário mergulha na correspondência de 25 anos entre Helena Maria e Carlos Drummond de Andrade, em imagens poéticas e cheias de ternura.
Sexta-feira (13/3) — Sessão das 19h
“Léo” (2015, 15min) — dir. Mariani Ferreira. Rodrigo não aceita a homossexualidade do irmão caçula e terá que arcar com as consequências de seus atos. Filmado em Porto Alegre e financiado pelo Edital Curta-Afirmativo do Ministério da Cultura.
“Mulher do Pai” (2015, 94min) — dir. Cristiane Oliveira. Ruben e Nalu moram perto da fronteira Brasil-Uruguai. Quando ele percebe que a filha de 16 anos já é uma mulher, uma nova e perturbadora proximidade surge entre os dois.
Sábado (14/3) — Sessão das 17h
“Hoje Tem Felicidade” (2005, 14min) — dir. Lisiane Cohen. Rui queria muito ser feliz. Mesmo que fosse ao extremo.
“A Noite do Sr. Lanari” (2002, 11min) — dir. Flávia Seligman. Baseado no conto “Cabecita Negra”, do escritor argentino Germán Rozenmacher, o filme aborda a autoridade nos anos das ditaduras latino-americanas.
“A Invenção da Infância” (2000, 26min) — dir. Liliana Sulzbach. Ser criança não significa ter infância.
“As Bicicletas de Nhanderu” (2011, 45min) — dir. Patrícia Ferreira Yxapy. Documentário imersivo produzido pelo Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema e Vídeo nas Aldeias, sobre a vida, espiritualidade e conflitos da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS).
Sábado (14/3) — Sessão das 19h
“Quero Ir para Los Angeles” (2019, 19min) — dir. Juliana Balhego. Maria, uma jovem negra universitária, planeja sua primeira viagem internacional. O que se revela é que o esforço próprio não é o único propulsor para alcançar objetivos.
“Antes que o Mundo Acabe” (2009, 100min) — dir. Ana Luiza Azevedo. Daniel é um adolescente lidando com problemas que parecem insolúveis — até receber uma carta do pai que nunca conheceu.
Domingo (15/3) — Sessão e debate das 17h
“Logos” (2025, 11min) — dir. Britney Federline. Após uma internação hospitalar, Britney parte numa viagem de carro onde o tempo se embaralha e ela tenta compreender sua relação com as pessoas, o afeto e a própria corporalidade.
Em seguida, acontece o debate “Políticas públicas para mulheres no audiovisual”, com a presença de diretoras da mostra e da diretora do Iecine, Sofia Ferreira.
Domingo (15/3) — Sessão das 19h
“Café Paris” (2004, 9min) — dir. Adalgisa Luz. Uma garota que toma muito café e nunca esteve em Paris.
“O Caso do Homem Errado” (2017, 77min) — dir. Camila de Moraes. O documentário reconstrói a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, executado pela Brigada Militar nos anos 1980 em Porto Alegre. O caso ganhou notoriedade após a imprensa publicar fotos de Júlio César sendo colocado com vida na viatura — e chegando morto a tiros ao hospital 37 minutos depois. O filme traz depoimentos do fotógrafo Ronaldo Bernardi, da viúva Juçara Pinto e de nomes da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil.
Serviço
Mostra de filmes “A Leoa Vai à Caça”
Quando: De quinta-feira (12/3) a domingo (15/3), com sessões às 17h e às 19h
Onde: Cinemateca Capitólio — Rua Demétrio Ribeiro, 1085, Centro Histórico, Porto Alegre
Entrada gratuita
Mais informações: https://www.instagram.com/mostra.aleoavaiacaca/
Foto: Besouro Filmes

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