Lía Matos abre sua primeira individual no Brasil com obras que nascem de narrativas alheias, fogo e camadas que só se revelam com o tempo.
A Galeria MITS apresenta, a partir de 7 de maio, a exposição “Quando a Água Aprende a Queimar”, de Lía Matos. A mostra marca um momento singular na trajetória da artista brasileira radicada em Nova York, que parte de paisagens abstratas para criar espaços e campos energéticos onde o invisível se evidencia lentamente, por tensões e sobreposições.
Histórias que entram na tela
Partindo da pintura, Lía desenvolve um trabalho que não começa com uma imagem pré-definida. O processo se desdobra durante a execução, guiado por um gesto que a própria artista descreve como liberação: algo precisa ser retirado de dentro para ganhar forma. A partir daí, a tela se transforma em interlocutora.
O que alimenta esse processo são histórias. Lía escuta relatos de pessoas, conhecidas ou desconhecidas, e os incorpora às suas pinturas. As imagens que surgem não pertencem exclusivamente a quem as produz. Há uma dimensão coletiva e porosa no trabalho, que transforma a tela em um arquivo de experiências compartilhadas.
Cor e gesto estabelecem relações que se transformam continuamente em superfícies densas. O conjunto apresentado envolve o espectador em uma experiência que exige tempo e atenção. As obras não se oferecem de imediato: se constroem na permanência do olhar.
Fogo e água como forças opostas e complementares
O fogo aparece como elemento recorrente na produção recente de Lía Matos. Sua presença vai além do simbólico e atua como força que orienta o processo criativo. Em contrapartida, a água surge como fluxo e deslocamento. A relação entre os dois elementos organiza o conjunto da exposição e propõe uma reflexão sobre instabilidade, mudança e continuidade.
É essa tensão que dá nome à mostra. Quando a água aprende a queimar, as fronteiras entre os elementos se dissolvem. O que parecia oposto passa a coexistir, e essa coexistência é, no fundo, o tema central do trabalho.
Existe um compromisso muito claro da galeria em acompanhar artistas em formação, como é o caso da Lía, que apresenta sua primeira individual no Brasil depois de uma trajetória construída em Nova York. Para a MITS, interessa abrir espaço para o que está surgindo agora, com frescor e consistência.
Roger Supino, fundador da Galeria MITS
Uma trajetória construída entre Brasil e Nova York
Lía Matos é artista multimídia formada em Belas Artes pela School of Visual Arts, em Nova York. Sua prática atravessa pintura, escultura, instalação e performance, com interesse em processos ligados à memória, espiritualidade e materialidade. Em 2024, realizou sua primeira exposição individual na cidade americana, na ChaShaMa. Seu trabalho já foi apresentado em exposições no Brasil e nos Estados Unidos e integra coleções privadas em diferentes países.
A Galeria MITS, fundada em 2023 por Roger Supino, se posiciona como um espaço que catalisa artistas emergentes e conecta produções de repertório jovem à formação de um novo público colecionador. Além da representação de artistas contemporâneos, a galeria atua no mercado secundário, desenvolve projetos personalizados para colecionadores e mantém parcerias com instituições e iniciativas sociais.
Serviço
- Exposição: Quando a Água Aprende a Queimar, de Lía Matos
- Abertura: 7 de maio de 2026
- Encerramento: final de junho de 2026
- Local: Galeria MITS — Rua Padre João Manuel, 740
- Visitação: segunda a sábado, das 10h às 20h
- Entrada gratuita
- Mais informações: @mits.galeria

