A substância vermelha que sangra do cerne do pau-brasil serve como fio condutor de uma nova mostra que investiga as feridas, a miscigenação e a força criativa do país.
O pigmento natural que deu nome ao território é o ponto de partida de uma reflexão conceitual sobre o que significa habitar e construir esta nação. A exposição “Brasilina – Poéticas de uma Nação Mátria”, realizada pela Decoranea e pelo 1COMUM Coletivo, ocupa a galeria do Centro Cultural SESI como uma plataforma de investigação sobre a identidade, a natureza e a sociedade brasileira por meio de múltiplas linguagens e materiais.
“A brasileína é uma tinta vermelha intensa, cor de brasa, que se forma naturalmente pela reação química da brasilina em contato com o ar e a luz. É possível falar de história sem falar de corte, de trauma? E falar de corte, de trauma é regenerá-lo?”
A provocação, feita por Fernando Caseira Nicolau, que assina a idealização do projeto ao lado de Isabela Castello, sintetiza o arco narrativo da mostra. Com curadoria dividida entre Castello e Isabel Portella, o espaço expositivo acolhe a produção de 32 artistas. As obras reunidas operam como uma metáfora da própria formação do povo: intensa, contraditória e em permanente estado de transformação e tensão estrutural.

O resgate da nação como terra-mãe
A mostra propõe um distanciamento de narrativas únicas e estereótipos tropicais para expor a complexidade real do território. Ao adotar o conceito de “nação mátria”, a curadoria enxerga o país como um corpo que gera e protege, evocando ancestralidades e sublinhando o papel central das mulheres na tecitura da vida social e cultural. A estrutura da exposição é dividida em três eixos centrais que guiam a percepção do público.
- Identidade: aborda as múltiplas formas de ser e de pertencer ao território, rompendo com padronizações.
- Natureza: lança luz sobre a biodiversidade e as dinâmicas extrativistas e de afeto entre a humanidade e o meio ambiente.
- Sociedade: expõe as desigualdades, os contrastes e as transformações estruturais da vida no país.
Outro ponto de inflexão artística ocorre na releitura dos símbolos nacionais, especialmente o lema da bandeira. A pesquisa curatorial relembra que a formulação original de Auguste Comte possuía a palavra “amor”. Ao resgatar essa ausência, o projeto sugere uma regeneração: o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim. O ambiente também abriga um programa educativo conduzido pela arte-educadora Tatiana Rosa, desenhado para ampliar o diálogo crítico com os visitantes.
Aproximação entre arte e design
A montagem marca o lançamento da Decoranea ao mercado, consolidando sua proposta de cruzar as fronteiras entre o design autoral e as artes visuais para valorizar a criatividade nacional. O projeto tem produção de Elaine Pinheiro e a organização estuda a possibilidade de levar o acervo para circulação em outras cidades nos próximos meses, após o encerramento da temporada em Vitória.
O material completo e o presskit de apoio do projeto estão disponíveis no endereço: https://tinyurl.com/brasilina
Serviço
- Exposição: Brasilina – Poéticas de uma Nação Mátria
- Realização: Decoranea e 1COMUM Coletivo
- Local: Galeria do Centro Cultural SESI – Jardim da Penha, Vitória – ES
- Abertura: 1º de setembro de 2026, das 18h às 21h
- Período: 1º a 30 de setembro de 2026
- Visitação: Terça a sábado, das 10h às 20h
- Entrada: Gratuita
- Classificação: Livre
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