Exposição no Palácio Tiradentes reconstrói os marcos das políticas públicas LGBTI+ no Brasil entre 1998 e 2010 — e lembra que nenhum direito surgiu por acaso.
Há conquistas que ficaram registradas em lei. Outras, em portarias, resoluções ou na criação silenciosa de um conselho. Mas todas elas têm algo em comum: nenhuma chegou sem pressão, sem articulação e sem pessoas dispostas a não recuar. É essa história — muitas vezes invisibilizada — que a Mostra Arquiteturas da Cidadania LGBTI+ | 1998–2010 se propõe a contar.
A exposição será inaugurada no dia 5 de maio, às 18h, no Plenário Barbosa Lima Sobrinho do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Realizada pela Aliança Nacional LGBTI e pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, a mostra reúne 25 banners que constroem uma linha do tempo visual sobre os principais marcos da luta por direitos no país.
Memória como instrumento político
Integrante do projeto Amor e Luta, a Mostra vai além do resgate documental. Ela propõe uma leitura de como a mobilização social organizada foi decisiva para transformar reivindicações em políticas concretas — inserindo, de vez, a pauta LGBTI+ na agenda do Estado brasileiro.
O recorte temporal não é aleatório. Entre 1998 e 2010, o Brasil viveu um ciclo raro de abertura institucional para o diálogo com a sociedade civil. A exposição documenta esse período com precisão: a participação da pauta LGBTI+ na Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001; a criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação; e a consolidação de iniciativas como o programa Brasil Sem Homofobia e as Conferências Nacionais LGBTI+.
Cada um desses marcos representou, em seu tempo, uma abertura que parecia improvável — e que só se tornou possível pela insistência de organizações, ativistas e coletivos que recusaram o silêncio como resposta.
Direitos não são definitivos
A mostra também toca em um ponto incômodo, mas necessário: conquistas não são permanentes. Ao organizar esses marcos em linguagem visual e acessível, Arquiteturas da Cidadania deixa claro que a continuidade dos direitos depende de compromisso institucional, financiamento e vigilância democrática constante.
Para Cláudio Nascimento, diretor de políticas públicas da Aliança Nacional LGBTI e presidente do Grupo Arco-Íris, a exposição tem um papel estratégico ao conectar memória e ação política.
Contar essa história é afirmar que nenhum direito surgiu de forma espontânea: todos são resultado de luta, organização e coragem coletiva. Ao revisitar essa trajetória, queremos não apenas preservar a memória, mas fortalecer o presente e inspirar novas gerações a seguirem construindo uma sociedade mais justa, onde a diversidade seja reconhecida como valor central da democracia.
Cláudio Nascimento, diretor de políticas públicas da Aliança Nacional LGBTI e presidente do Grupo Arco-Íris
Um símbolo dentro de um símbolo
A escolha do Palácio Tiradentes como sede não é neutra. Um dos espaços mais simbólicos da política brasileira, o edifício abriga a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — e receber uma mostra sobre a construção de direitos LGBTI+ em seus salões é, por si só, uma afirmação. A diversidade ocupa o lugar onde as leis são feitas.
A Aliança Nacional LGBTI e o Grupo Arco-Íris reafirmam, com a iniciativa, seu compromisso histórico com a defesa dos direitos humanos, a valorização das identidades e o combate às desigualdades. O projeto conta com fomento do Governo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, e apoio do programa estadual Rio Sem LGBTIfobia.
Serviço
- Mostra: Arquiteturas da Cidadania LGBTI+ | 1998–2010: uma linha do tempo das políticas públicas no Brasil
- Abertura: 5 de maio de 2026, às 18h
- Local: Palácio Tiradentes — Plenário Barbosa Lima Sobrinho, Alerj — Rio de Janeiro (RJ)
- Entrada: Gratuita
