A formação técnica de 255 novos profissionais em games e dramaturgia rompe barreiras históricas de acesso e coloca jovens da periferia diretamente nas telas do streaming e nas arenas de esports.
O encerramento do ciclo letivo do Grupo Cultural AfroReggae reuniu turmas dedicadas à tecnologia, aos esportes eletrônicos e às artes cênicas. A celebração foi sediada na Arena AfroGames, localizada no Complexo do Cantagalo–Pavão-Pavãozinho, reunindo estudantes formados em duas frentes de capacitação prática voltadas para atender demandas contemporâneas do mercado profissional.
Existe uma atriz antes e outra depois do Curso de Formação de Atores AfroReggae Audiovisual na minha vida. O curso colocou uma lupa sobre tudo o que eu já havia construído como artista e também mostrou o que ainda precisava ser lapidado para o audiovisual.

Ocupação dos sets de filmagem e mercado de streaming
A primeira turma do Curso de Formação de Atores e Atrizes para o Audiovisual formou 66 pessoas residentes de municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Selecionada a partir de mais de 900 inscrições, a turma contou com 86% de alunos negros, priorizando a diversidade racial e a renovação de perfis nas telas brasileiras.
A grade acumulou 360 horas presenciais durante dez meses, divididas em aulas semanais de interpretação, corpo e voz voltadas para as exigências específicas de cinema, televisão e streaming. A rotina incluiu encontros com profissionais experientes da dramaturgia, como Raphael Logam, Juliane Araújo, Marcello Melo Jr., Marcelo Serrado e Carol Garcia.
A metodologia gerou contratações antes mesmo da formatura oficial: 21 atores da turma foram selecionados em audições para integrar o elenco da série original “Delegacia de Homicídios”, do Disney+, produzida em conjunto com a AfroReggae Audiovisual, Formata e Non Stop. Entre as aprovadas está Raquel Polistchuck, escalada para o papel de uma policial na obra.
Imersão em criação técnica e arenas competitivas
Na vertente tecnológica, o projeto AfroGames certificou 189 estudantes: 157 na trilha de Cultura Gamer e 32 na especialização profissionalizante de Criação de Jogos. O treinamento ocorreu nos centros operados em Vigário Geral, Mandela, Complexo da Maré e no próprio Cantagalo–Pavão-Pavãozinho.
A carga horária de 120 horas teóricas e práticas foi complementada por 80 horas de ensino da língua inglesa pela Edify Education. Durante o percurso, os inscritos experimentaram competições na Copa AfroGames e maratonas de programação na AfroGames Jam, aplicando conceitos de design interativo, narrativas digitais e lógica computacional.
A iniciativa mantém pro-players disputando a FFWS Brasil 2026 em Free Fire, além de equipes dedicadas a Valorant. Em paralelo, o AfroGames Studios apresentou criações originais durante o Festival Nacional da Matemática, conectando a elaboração de jogos autorais a circuitos acadêmicos e científicos na Marina da Glória.
Caminhos abertos para novas gerações
A diretora Karla Soares enfatizou durante o encontro que as capacitações representam ferramentas concretas para que a juventude de comunidades populares assuma papéis de liderança em diferentes setores econômicos.
O projeto foi realizado no dia 31 de agosto com patrocínio do Guaraná Antarctica e apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
