Até sábado, 18 de julho, “Imprevistos” reúne 15 obras inéditas de Ana Holck e evidencia uma mudança em sua pesquisa: a entrada da cor na cerâmica.
A exposição de Ana Holck ocupa a Maneco Müller: Multiplo, no Leblon, e marca os 25 anos de trajetória da artista carioca. Para o último dia, em 18 de julho de 2026, a galeria terá abertura excepcional das 10h às 14h.
Produzidos este ano, os trabalhos desdobram a investigação da artista com cerâmica e aço inox. A mostra reúne obras das séries “Desajustados”, “Entroncados” e “Grades”, organizadas por relações de forma, ritmo e construção.
“Utilizo mais a cor como um marcador de tempo e espaço. Tem um ritmo que está sendo dado por essas cores, que eu chamo de ‘não-cores’.”
A cor altera o ritmo das esculturas
Em “Imprevistos”, a cor aparece pela primeira vez no trabalho de Holck. A artista, que antes utilizava sobretudo porcelana branca e também preta, passa a empregar tons suaves e rebaixados, por vezes combinando duas nuances próximas em uma mesma obra.
Para isso, ela usa um barro canadense chamado Gres, que já vem colorido de fábrica. A escolha não busca tons fortes, mas variações discretas que interferem na leitura espacial das peças.
“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura”, afirma a crítica e curadora de arte Daniela Labra, autora do texto da exposição.
Três séries, estruturas em deslocamento
Na série “Desajustados”, tubos de cerâmica em cores variadas são conectados por aço inox. As peças constroem linhas e retas que sugerem movimento, com a cor participando da marcação do ritmo.
Os “Entroncados” também aproximam cerâmica e metal, mas partem de uma lógica inversa: se em “Desajustados” a cerâmica se expande por um núcleo metálico, aqui a fita de aço inox se projeta a partir do núcleo de cerâmica. Uma série é reta; a outra, curva.
Já “Grades” retoma um elemento recorrente na obra da artista. As estruturas, agora tridimensionais e coloridas, podem surgir em sobreposições ou posições oblíquas. A grade, segundo Holck, está ligada a projeto, planejamento e a uma estrutura universal.
Da arquitetura ao controle da matéria
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ, Holck trabalha com módulo, repetição e serialidade. Na cerâmica, esses procedimentos permitiram ampliar a escala de suas obras sem abandonar a lógica construtiva que atravessa sua produção.
A artista utiliza uma prensa extrusora para produzir tubos de bitolas regulares, que depois entram em processos de composição e montagem. Assim, transforma um material maleável em estruturas de precisão, distantes da cerâmica convencional marcada diretamente pelo gesto das mãos.
“É um trabalho de cerâmica, mas não da forma convencional. É mais minimalista no sentido que eu uso a extrusora para fazer os tubos que compõem o trabalho.”
Serviço
- Exposição: Ana Holck – Imprevistos
- Em cartaz até 18 de julho de 2026
- Local: Maneco Müller: Múltiplo (MMM Galeria), Rua Dias Ferreira, 417, sala 206, Leblon
- Horários: de segunda a sexta, das 10h às 18h30; sábado, das 10h às 14h






