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Após viral nas redes, Mariana Rosa estreia monólogo no Rio

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Depois de conquistar milhões de visualizações nas redes sociais, Mariana Rosa transforma a repercussão digital em presença cênica e estreia no Rio de Janeiro com o monólogo “Quando Eu Era Mulher”, em cartaz de 10 a 12 de julho, no Teatro Cesgranrio. A montagem nasce de relatos reais enviados por mulheres de diferentes regiões do país e propõe um mergulho nas violências — muitas vezes invisíveis — que atravessam o cotidiano feminino.

A chegada ao Rio marca um novo momento do projeto que começou na internet, com a série “Meu nome é Mariana e eu sou…”, em que a artista interpretava personagens frequentemente rotuladas como “louca”, “dramática” ou “exagerada”. O sucesso da série não apenas ampliou o alcance do trabalho, mas também abriu espaço para que mulheres compartilhassem suas próprias histórias.

Do digital ao palco

O espetáculo é resultado direto dessa troca. A dramaturgia foi construída a partir dos depoimentos recebidos durante a repercussão da série, transformando experiências individuais em uma narrativa coletiva. No palco, essas histórias ganham corpo em diferentes personagens, interpretadas pela própria Mariana.

A artista explica que o processo de exposição nas redes foi também um ponto de virada pessoal e criativo, abrindo caminho para uma conexão mais profunda com o público.

“Quando comecei na internet, tive que vencer o medo de me expor e ser julgada, como se a comunicação pelas redes fosse um trabalho superficial. Hoje, minha maior inspiração vem de mulheres que estão do outro lado da tela. A gente se reconhece e se conecta de uma forma muito genuína. Levar esse processo para o teatro e transformar esse encontro em presença é uma forma de potencializar essa troca e dar voz a tantas ‘Marianas’”

Relatos reais e violência cotidiana

A base do espetáculo está em histórias marcadas por diferentes formas de violência — afetiva, familiar e profissional — que muitas vezes passam despercebidas ou são naturalizadas no dia a dia. Ao reunir esses relatos, a montagem constrói um mosaico que evidencia padrões recorrentes de silenciamento, controle e desvalorização.

A própria experiência da artista em um relacionamento abusivo também atravessa a criação, funcionando como ponto de partida para um olhar mais amplo sobre as dinâmicas de gênero.

Essa dimensão coletiva dá ao espetáculo um caráter de reconhecimento imediato. As histórias não aparecem como casos isolados, mas como parte de uma estrutura compartilhada, que se repete em diferentes contextos sociais e regiões do país.

Estética e linguagem cênica

Em cena, Mariana transita entre múltiplas personagens, construídas a partir das vivências recebidas. A encenação combina elementos do teatro do absurdo com uma estética minimalista, criando um espaço onde a palavra e o corpo ganham protagonismo.

Essa escolha estética reforça a proposta de evidenciar mecanismos sutis de violência — aqueles que não deixam marcas visíveis, mas que moldam relações e percepções ao longo do tempo.

Ao evitar excessos visuais, a montagem concentra a atenção na experiência humana e nas nuances emocionais das histórias, ampliando o impacto da narrativa.

Reflexão e continuidade

Quando Eu Era Mulher” dá continuidade à pesquisa artística iniciada nas redes sociais, agora aprofundada no teatro. A transposição de relatos íntimos para o palco amplia o alcance do debate e cria um espaço de escuta coletiva.

Com duração de 60 minutos e classificação indicativa de 16 anos, o espetáculo convida o público a reconhecer dinâmicas frequentemente invisibilizadas e a refletir sobre autonomia, acolhimento e as possibilidades de ruptura desses ciclos.

Mais do que uma narrativa individual, a montagem se apresenta como um encontro entre histórias, vozes e experiências que, juntas, constroem uma perspectiva mais ampla sobre o que significa viver essas realidades no cotidiano.


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