Conhecido por interpretar Malungo na obra “A Nobreza do Amor“, o ator Breno Santos equilibra a rotina profissional com um aprofundamento rigoroso em linguagens cênicas internacionais e afro-referenciadas.
O percurso de pesquisa do ator Breno Santos envolve frentes que ampliam as ferramentas técnicas acumuladas ao longo da trajetória. O objetivo central é tensionar o próprio repertório diante de métodos consolidados globalmente e estéticas contemporâneas de criação.
À medida que sua carreira avança, ele compreende que crescer profissionalmente também exige crescer artisticamente. Mais do que acumular cursos ou técnicas, o objetivo é construir um processo consistente de formação, expandir o repertório, questionar o que já domina e descobrir novas possibilidades para o ator e o artista que está se tornando.

Intercâmbio de métodos e mercado internacional
Uma das frentes desse movimento é a participação em uma residência artística orientada por Javier Molina, ator, diretor e atual codiretor artístico do The Actors Studio, com sede em Nova York. O espaço constitui uma das referências mais influentes do mundo na formação de atores.
No laboratório prático, o trabalho foca na investigação sobre escuta, construção de cena e processos de atuação. A residência proporciona ainda a experimentação de atuação em outros idiomas, aproximando o artista de dinâmicas e referências do mercado internacional.
Imersão em dramaturgia negra e afrofuturismo
Paralelamente ao trabalho com Molina, Breno integra a formação em Teatro Afrofuturista da EPA – Escola Preta de Arte, projeto idealizado pela Confraria do Impossível em parceria com o Terreiro Contemporâneo. O programa é conduzido por ALemos e Wayne Marinho, propondo práticas teatrais centradas em perspectivas afro-diaspóricas.
A coordenação pedagógica está sob a responsabilidade de ALemos, diretor e dramaturgo que se consagrou como o primeiro artista negro a receber o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro na categoria Direção pelo espetáculo “Esperança na Revolta”. A direção geral da EPA é exercida por Wayne Marinho, que possui atuação no teatro e no setor audiovisual.
A confluência entre a tradição de Nova York e o foco da EPA permite ao ator explorar identidade, ancestralidade, imaginação e projeção de futuros na cena teatral, complementando sua atuação diante das câmeras e dos palcos.