A pergunta que atravessa gerações chega ao palco carioca em uma montagem que confronta memória, verdade, amor e controle: afinal, quem tem o direito de contar a história?
Capitu e Bentinho, o casal mais célebre da literatura brasileira, voltam a se encontrar no palco. Inspirado em Dom Casmurro, de Machado de Assis, o espetáculo “Capitu e Bentinho” estreia no Rio de Janeiro em 1º de outubro de 2026, no Teatro Dulcina, na Cinelândia.
Depois de conquistar público e crítica no Espírito Santo, a montagem do Grupo Teatral Caparaó chega à cidade após receber sete prêmios, incluindo o de melhor espetáculo, no 26º Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, o mais tradicional festival de teatro do estado.
“A ideia é subverter, questionar e dialogar com os anseios de agora”, defende Danyel Sueth.
Com direção e dramaturgia de Danyel Sueth, que também está em cena ao lado de Bruna Frari, a peça desloca o olhar tradicional da obra para refletir sobre questões urgentes da sociedade contemporânea. A narrativa questiona estruturas historicamente estabelecidas e cria um espaço de confronto entre memória e verdade, amor e controle.
“Vivemos em uma sociedade onde se torna cada vez mais urgente o debate sobre os direitos das mulheres, a garantia de proteção à vida, o combate à violência de gênero, à misoginia e ao machismo. Revistar um clássico, refazer questionamentos e aprofundá-lo na contemporaneidade é algo mais que oportuno, necessário”, afirma Danyel Sueth.

Uma Capitu entre o clássico e o presente
Em cena, os personagens de Machado de Assis são revividos em uma narrativa fragmentada e intensa. A montagem investiga como histórias baseadas em paixões desmedidas podem se transformar e sair do controle, convidando o público a revisitar o clássico sob uma nova perspectiva.
Para Bruna Frari, interpretar Capitu é um desafio ligado ao peso do imaginário construído em torno da personagem. “Desafio porque é um clássico que faz parte do nosso imaginário e delicioso porque é tão significativo dar vida a uma mulher autêntica, inteligente e forte. Capitu foi um presente”, afirma a atriz.
A trilha sonora é executada ao vivo por Renan Silveira, na guitarra, Marcos Tadeu, no baixo, e Ronnie Silveira, na bateria. Algumas apresentações contam ainda com a participação especial da atriz carioca Milena Paiva.
A montagem também concorre ao prêmio de Melhor Espetáculo do Espírito Santo em 2026, em uma premiação organizada pela rádio Super Vix.

O grupo que leva o Caparaó ao palco
Fundado em 2010, na cidade de Alegre, no sul do Espírito Santo, o Grupo Teatral Caparaó é dedicado à criação, pesquisa e circulação de espetáculos com identidade autoral e diálogo com questões contemporâneas.
O grupo desenvolve obras que transitam entre dramaturgias originais e releituras de clássicos da literatura e do teatro mundial. Sua abordagem combina experimentação cênica, valorização do ator e integração entre teatro, música e recursos audiovisuais.
Além da criação de espetáculos, o Grupo Teatral Caparaó atua na formação artística e na realização de mostras, oficinas e projetos culturais, com trabalhos voltados a temas como memória, relações humanas, identidade e direitos.

Serviço
- Espetáculo: “Capitu e Bentinho”
- Local: Teatro Dulcina (Rua Alcindo Guanabara, 17 – Cinelândia)
- Temporada: 1º a 18 de outubro de 2026
- Apresentações: de quinta a sábado, às 19h; domingo, às 18h
- Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
- Bilheteria digital: www.sympla.com.br/capituebentinho
- Apresentação: FUNARTE
- Realização: Grupo Teatral Caparaó
- Instagram: @grupoteatralcaparao
- Site: www.grupoteatralcaparao.com.br

