A exposição Coreografias do corpo aproxima esculturas e pinturas inéditas no Sul do país para debater a diáspora africana, memórias ancestrais e a criação de novos imaginários existenciais.
As pesquisas da artista brasileira Diambe e do artista britânico Tunji Adeniyi-Jones encontram-se no mesmo espaço em uma reflexão profunda sobre gesto, movimento e identidade. Apresentada na galeria Simões de Assis Curitiba, a mostra propõe um diálogo em que referências culturais e vivências diaspóricas ganham materialidade física por meio de abordagens escultóricas e pictóricas vigorosas.
O encontro entre os artistas se dá pela compreensão do gesto como força viva de transformação e pertencimento.

Matéria viva, organismos em mutação e poética do bronze
Na prática de Diambe, nascida no Rio de Janeiro e sediada em São Paulo, a matéria-prima atua de forma ativa no desenvolvimento dos trabalhos. Utilizando elementos vivos e orgânicos — como raízes alimentares, cera de abelha, tecidos e pigmentos —, além de processos de fundição em bronze, a artista projeta estruturas que remetem a organismos e elementos da natureza em transformação perpétua. As obras articulam corpos de povos diaspóricos reorganizados em figuras fabulativas, transitando livremente entre escultura, pintura, instalação e vídeo para provocar a percepção espacial do público.
Com trajetória reconhecida por exposições individuais na Kunsthalle Basel e na Kaufmann Repetto em Nova York, além de presença nos acervos do MASP e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a artista constrói formas que suspenderem questões entre resistência e efemeridade, propondo maneiras alternativas de habitar e perceber o mundo contemporâneo.
Ritmo visual, mitologia iorubá e a dança dos corpos
Por sua vez, Tunji Adeniyi-Jones constrói suas telas a partir do entrelaçamento entre figuras humanas e folhagens estilizadas sob cores intensas. Inspirado na história antiga da África Ocidental, na mitologia e em sua herança iorubá, o artista britânico sediado em Nova York desenvolve painéis múltiplos nos quais os personagens reaparecem ritmicamente. A repetição dos gestos evoca celebrações ritualísticas e coloca a linguagem corporal e a dança como formas fundamentais de comunicação.
O trabalho de Adeniyi-Jones, que representou o Pavilhão da Nigéria na Bienal de Veneza e integra coleções de prestígio como a do Metropolitan Museum of Art e do LACMA, busca desconstruir leituras reducionistas historicamente associadas às narrativas africanas, ampliando a visibilidade de seus símbolos originais. Esta é a segunda vez que o público brasileiro pode acompanhar suas criações.

Memória cultural e a imaginação de futuros possíveis
Com visitação aberta a partir de 10 de novembro de 2026, a mostra segue em exibição na capital paranaense até meados de janeiro de 2027. Ao aproximar vertentes que conectam a fabulação escultórica à cadência pictórica, o projeto converte o espaço galerial em um ponto de convergência para refletir sobre como a criação artística é capaz de reelaborar heranças culturais e projetar novas possibilidades de existência.
Serviço
- Exposição: “Coreografias do corpo”, de Diambe e Tunji Adeniyi-Jones
- Entrada: Gratuita
- Abertura: 10 de novembro, terça-feira, das 18h às 21h
- Período de visitação: 10 de novembro de 2026 a 15 de janeiro de 2027
- Local: Simões de Assis | Alameda Carlos de Carvalho, 2173 A, Batel, Curitiba/PR
- Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h
- Informações adicionais: www.simoesdeassis.com | @simoesdeassis_ | fb.com/simoesdeassisgaleria
