A artista e antropóloga Damiana Bregalda reúne mais de uma década de pesquisas sobre ecologia, corpo e território na exposição “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, em cartaz no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina.
A pergunta sobre como habitar a Terra sem ocupá-la a partir de uma lógica de posse, domínio e extração é o fio condutor da mostra de Damiana Bregalda. Apresentada no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), em Florianópolis, a exposição reúne 16 obras em diferentes linguagens que articulam arte, antropologia e ecologia.
A ideia de ‘pouso’ aparece como um gesto de suspensão, desaceleração e atenção. Já o ‘risco’ diz respeito tanto à vulnerabilidade quanto à possibilidade de deslocar certezas e experimentar outras formas de habitar a Terra.

Uma década de pesquisas e obras em variadas linguagens
O conjunto expositivo é resultado de mais de dez anos de investigações iniciadas em 2013 e de deslocamentos por diferentes territórios. A seleção inclui quatro instalações, quatro vídeo-performances, uma série de quatro monotipias, duas publicações de artista, seis foto-performances, duas fotografias e dois trabalhos sonoros.
Entre os destaques de longa duração está o projeto “Diário de pousos”, iniciado em 2013 e exibido ao público pela primeira vez. No trabalho, a artista recolhe folhas e flores no instante em que se desprendem das árvores, registrando o local e o horário de cada queda para refletir sobre o tempo e a desaceleração.
Tensão entre monocultura e preservação territorial
Projetos recentes desenvolvidos na pós-graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) também compõem o percurso. A série “Ara Maí: semear em terras devastadas (2026)” e as monotipias foram produzidas em paisagens impactadas de Santa Catarina, como uma pedreira, uma área de monocultura de pinus em Florianópolis e uma mina de carvão em Criciúma.
Em outra frente, as vídeo-performances “É preciso correr o risco – na pele” e “É preciso correr o risco – na terra” confrontam a exploração agrícola. Na última, Damiana percorre uma área de monocultura de soja em Paraí, no Rio Grande do Sul, e semeia o milho Avaxi Para’í, cultivado pelos Guarani, tensionando a lógica do agronegócio com saberes originários.
Perspectiva decolonial e debate sobre a crise ecológica
Com curadoria de Juliana Crispe, a exposição dialoga com o pensamento de Malcom Ferdinand para situar a destruição ambiental no âmbito do colonialismo, da exploração da terra e do racismo estrutural. O gesto de semear emerge no trabalho não como promessa de restauração intacta da natureza, mas como ação poética e política para repensar a convivência coletiva entre humanos e não humanos.
A mostra marcou a estreia individual da artista no MIS-SC e abriu ao público em 6 de outubro de 2026. A visitação gratuita segue disponível até 29 de novembro de 2026, oferecendo um espaço público de pausa, reflexão e questionamento das certezas que regem a relação contemporânea com o meio ambiente.
Serviço
- Exposição: “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, de Damiana Bregalda
- Local: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS-SC), no Centro Integrado de Cultura (CIC) (Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis/SC)
- Visitação: até 29 de novembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 21h
- Entrada: gratuita
