Após duas décadas na publicidade, Fabi Fregonesi transformou o mergulho e a fotografia subaquática em uma carreira marcada por reconhecimento internacional e educação ambiental.
O Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, abre espaço para histórias que ultrapassam o enquadramento. A da fotógrafa subaquática Fabi Fregonesi começou no mercado corporativo e encontrou no fundo do mar uma nova direção profissional.
Antes de se dedicar integralmente à fotografia, ela construiu uma trajetória de duas décadas na publicidade. Parte relevante desse percurso foi vivida no Google, onde participou de projetos de grande escala.
“Houve muito planejamento, estudo e preparação antes de transformar essa paixão em profissão.”
A mudança não ocorreu de forma imediata. Fabi mergulhava desde 2009 e fotografava debaixo d’água desde 2012, enquanto ainda atuava no ambiente corporativo. Antes de fazer a transição, preparou-se tecnicamente e financeiramente para que a nova carreira não dependesse de retorno imediato.
Uma decisão amadurecida fora do escritório
Em 2023, um problema de saúde aprofundou sua reflexão sobre prioridades. Diagnosticada com diverticulite com perfuração intestinal, Fabi passou por cirurgia e foi internada quatro vezes ao longo daquele ano.
Durante uma viagem à África do Sul, ela ouviu da equipe médica que sua condição representava risco de vida. A experiência funcionou como um catalisador para rever objetivos pessoais e profissionais.
Em 2024, uma reestruturação interna no Google antecipou uma decisão que ela já estruturava. A saída da empresa partiu da fotógrafa, que aproveitou o momento para transformar em profissão uma paixão desenvolvida ao longo dos anos.
“Existe uma ideia de que mudanças de carreira acontecem apenas porque alguém decidiu largar tudo e seguir um sonho. Não foi assim comigo”, afirma Fregonesi. “Sabia que construir uma nova carreira levaria tempo e que eu não poderia depender de um retorno financeiro imediato.”
O mar como ferramenta de aproximação
A relação com o oceano começou como hobby, mas passou a ter outra dimensão durante os mergulhos. Ao registrar paisagens, animais e ecossistemas pouco acessíveis ao público, Fabi identificou na fotografia uma possibilidade de educação e preservação ambiental.
“Em cada mergulho eu encontrava paisagens, animais e ecossistemas que poucas pessoas têm a oportunidade de conhecer. A fotografia se tornou uma forma de aproximar o público desse universo”, explica a fotógrafa.
“Quando as pessoas se encantam, elas passam a valorizar e proteger aquilo que estão vendo.”
O reconhecimento veio em águas profundas
Fabi tornou-se a primeira brasileira, entre homens e mulheres, a subir ao pódio do Underwater Photographer of the Year, prêmio dedicado à fotografia subaquática. Ela conquistou o terceiro lugar na categoria “Wrecks” (Naufrágios), disputada por mais de 6.500 imagens de fotógrafos de diferentes países.
Na mesma edição, teve duas fotografias finalistas e outras duas classificadas para as quartas de final. Nos últimos dois anos, acumulou mais de 30 premiações internacionais em concursos como One Eyeland Award, Scuba Diving Magazine Through Your Lens, Ocean Geographic Pictures of the Year, 35 Awards e Sony World Photography Awards.
Para a fotógrafa, a trajetória não cabe na ideia de uma ruptura impulsiva. “Eu não abandonei uma carreira para descobrir o que fazer depois. Construí um novo caminho durante anos até estar pronta para seguir por ele. E esse caminho sempre contou com a minha paixão pela fotografia”, afirma.
Serviço
- Data lembrada: Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto
- Fotógrafa: Fabi Fregonesi







