Mais de 40 artistas ocupam o Instituto Çarê com arte acessível, oficinas e música gratuita na Virada Cultural 2026, em São Paulo.
A Feira da Gamela chega à sua segunda edição com uma proposta direta: aproximar público e artistas fora das estruturas tradicionais do mercado. No dia 23 de maio, o Instituto Çarê, na Vila Leopoldina, abre suas portas para uma programação gratuita que combina arte, formação e convivência ao longo de oito horas.
Integrando a Virada Cultural 2026, o evento transforma o espaço em um território de circulação criativa. São trabalhos autorais, publicações independentes, bordados, lambe-lambes e objetos que refletem diferentes linguagens e trajetórias. Mais do que expor, a feira propõe troca direta — sem mediações rígidas — e com preços pensados para ampliar o acesso.
Arte independente em movimento
A Feira da Gamela mantém o eixo que marcou sua estreia: valorizar a produção independente e criar um ambiente onde o encontro é central. Participam artistas e coletivos como Gustavo 2 Henriques, AV_LÃ, Bordado Gara, Coletivo Sem Calcinha, Ilé Cerâmica, Lara Fernandes Moreira, Maria Chiang, Toth Ateliê, Ybyatã, entre outros.
Essa diversidade não é apenas estética. Ela reflete modos distintos de produzir, circular e pensar a arte hoje. Ao reunir nomes emergentes e iniciativas coletivas, a feira constrói um panorama vivo da cena contemporânea que escapa dos circuitos mais institucionalizados.
Oficinas e experiências ao vivo
Ao longo do dia, o público também pode participar de atividades formativas. A oficina Monotipia Botânica, com o Ateliê Moitará, acontece das 11h às 13h. Já Carimbos Urbanos, com Denis Araújo e Fernando Mariano, ocupa a tarde, das 14h às 16h.
Além disso, a programação inclui uma ação de pintura mural ao vivo com Rui Amaral e Box, das 12h às 16h, logo na entrada do espaço. A proposta é simples: permitir que o público acompanhe o processo criativo em tempo real, dissolvendo a distância entre obra e espectador.
Música e convivência
A trilha sonora da feira reforça seu caráter coletivo. O grupo Garoa do Recôncavo leva o samba de roda ao espaço entre 12h30 e 14h. Mais tarde, das 17h30 às 19h, o Estrela do Oriente de Paraty apresenta a tradicional folia de reis.
Enquanto isso, a Cozinha Ocupação 9 de Julho assume a alimentação entre 12h e 16h, com distribuição de pipoca a partir das 16h. A ideia é transformar o evento em um ponto de permanência, não apenas de passagem.
“A Feira da Gamela é uma feira de arte dedicada a conectar artistas diversos ao público, propondo uma atuação fora da lógica tradicional do mercado de arte. A iniciativa busca ampliar o acesso, despertando o interesse e criando condições para que mais pessoas possam se relacionar e consumir arte”, fala Gabi Mariano, coordenadora do núcleo de Artes do Instituto Çarê.
Um espaço de encontro e transformação
O Instituto Çarê, que recebe a feira, carrega no nome a ideia de “broto” — origem e crescimento. Fundado em 2019, o espaço atua como uma associação sem fins lucrativos voltada à cultura, educação e convivência, com projetos que atravessam arte, música, acervo e ações socioambientais.
Mais do que sediar o evento, o instituto reforça uma lógica de atuação baseada na troca e no território. Localizado em uma região marcada por contrastes sociais, o Çarê aposta na cultura como ferramenta de conexão e protagonismo.
Nesse contexto, a Feira da Gamela se consolida como um espaço de circulação real — onde artistas encontram público sem filtros e onde o acesso à arte deixa de ser exceção para se tornar experiência cotidiana.
Serviço
- 2ª edição da Feira da Gamela
- Data: 23 de maio de 2026, sábado
- Horário: das 11h às 19h
- Local: Instituto Çarê – Rua Dr. Avelino Chaves, 138, Vila Hamburguesa, São Paulo – SP
- Entrada: gratuita
- Classificação: livre

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