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Linhas que escapam da tela conduzem nova mostra no Leblon

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Tramas que atravessam o limite da tela conduzem o olhar para um território instável entre dentro e fora, na nova exposição de Daisy Xavier no Leblon.

A Maneco Müller : Multiplo Galeria inaugura, em 30 de julho, a exposição “Anfi”, primeira individual de Daisy Xavier no espaço. A mostra reúne dez trabalhos inéditos — cinco pinturas e cinco desenhos de grandes dimensões — que condensam a produção recente da artista, ativa desde os anos 1980.

“A dissolução de limites entre opostos, a permeabilidade de fronteiras é uma questão central do meu trabalho.”

No centro da pesquisa está a ideia de rede. Linhas densas se sobrepõem, cruzam e se conectam em arranjos que não existem no mundo físico, mas operam como metáfora visual dos fluxos do inconsciente. A formação da artista em psicanálise atravessa essas composições, criando imagens que parecem em constante transformação.

Quando a linha deixa de ser limite

Nas pinturas sobre linho cru, de aproximadamente 188 x 140 cm, o contraste é imediato. A delicadeza do suporte recebe traços rudes feitos com lápis de óleo e tinta de asfalto. Predominam o preto e o branco, em tensão com o tom natural do tecido.

Já nos desenhos em papel de gravura, as linhas carregadas de tinta a óleo ganham interrupções de vermelho intenso em ecoline. O resultado são superfícies que parecem pulsar, como se as tramas escapassem do plano bidimensional e invadissem o espaço ao redor.

“As tramas pertencem à tela, mas ao mesmo tempo parecem ganhar tridimensionalidade”, observa Maneco Müller, sócio da galeria. “Esse deslocamento é um dos pontos mais fortes da obra.”

Entre dentro e fora, sem fronteira fixa

O título “Anfi” deriva do grego “amphi”, termo que sugere duplicidade e aquilo que está em ambos os lados. A escolha sintetiza a investigação de Daisy Xavier: estruturas que ao mesmo tempo delimitam e permitem passagem.

Elementos recorrentes como redes e água aparecem como dispositivos que dissolvem fronteiras. O corpo, em sua obra, deixa de ser apenas físico e passa a operar como zona permeável, onde identidades e alteridades se atravessam.

“Ela permite que o que está dentro seja visto por fora, e o que está fora seja visto por dentro”, afirma a artista sobre a rede, figura central de sua produção.

Quatro décadas de investigação visual

Formada em psicologia e psicanálise, Daisy Xavier iniciou sua trajetória artística na década de 1980. Passou pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage e aprofundou estudos em História da Arte com Paulo Sergio Duarte. Ao longo de sua produção, transita entre vídeo, fotografia, instalação, pintura e desenho.

Em “Anfi”, essa trajetória se condensa em trabalhos que operam menos como imagens fixas e mais como campos em movimento — espaços onde olhar e percepção são constantemente desafiados.

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