Pintura, palavra e cor convergem em nova individual de Luciano Figueiredo na Anita Schwartz, celebrando 60 anos de uma trajetória que moldou a cultura brasileira.
São seis décadas de produção contínua, e Luciano Figueiredo ainda apresenta trabalho inédito. A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, inaugura no dia 5 de maio de 2026, às 19h, a exposição Por toda parte escreverei o teu nome, mostra individual com curadoria de Luiz Chrysóstomo que reúne obras recentes e abre um novo núcleo dentro da pesquisa do artista.
As composições apresentadas na mostra articulam pintura, palavra, cor e linguagem gráfica com uma precisão formal que é marca registrada de Figueiredo. Não se trata de retrospectiva — o foco está no presente, no que o artista investiga agora, neste momento específico de sua trajetória.
Uma trajetória que atravessa mundos
Nascido em Fortaleza em 1948 e radicado no Rio de Janeiro, Luciano Figueiredo iniciou sua produção em 1966. Desde então, construiu uma presença rara na cultura brasileira: artista plástico, designer gráfico, poeta, cenógrafo e pensador crítico, transitou entre disciplinas sem jamais pertencer de forma exclusiva a nenhuma delas.
Ao longo dessas seis décadas, manteve interlocução direta com figuras que definiram o imaginário cultural do país. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Caetano Veloso, Waly Salomão e Gal Costa estão entre os nomes com quem construiu relações de trabalho e afinidade intelectual. Essa rede não é apenas biográfica — ela está inscrita na textura de sua obra.
Navilouca e a iconografia da música brasileira
Dois marcos ajudam a entender o alcance de sua atuação. O primeiro é a revista Navilouca, publicação experimental dos anos 1970 que se tornou um documento decisivo na confluência entre poesia, arte e contracultura. Figueiredo foi coautor do projeto gráfico ao lado de Oscar Ramos — um trabalho que hoje é estudado como referência na história do design editorial brasileiro.
O segundo são as capas de discos que assinou ao longo dos anos, peças que ajudaram a moldar visualmente a música popular brasileira contemporânea. Nesse campo, forma e conteúdo dialogavam com a mesma intensidade que marca sua produção nas artes plásticas.
Por toda parte escreverei o teu nome
O título da exposição já diz algo sobre o método. Há uma insistência, uma repetição que não é redundância — é construção. A palavra que retorna, a cor que persiste, a forma que se refaz. Nesse sentido, a mostra parece uma síntese natural de quem passou sessenta anos desenvolvendo uma linguagem própria com disciplina e coerência.
A curadoria de Luiz Chrysóstomo organiza esse novo momento sem transformá-lo em balanço ou celebração nostálgica. A proposta é olhar para o que Luciano Figueiredo está fazendo agora — e o que ele está fazendo, como sempre, é ampliar os limites do que a pintura pode dizer.
Serviço
- Exposição: Por toda parte escreverei o teu nome
- Artista: Luciano Figueiredo
- Curadoria: Luiz Chrysóstomo
- Abertura: 5 de maio de 2026, às 19h
- Local: Anita Schwartz Galeria de Arte — Gávea, Rio de Janeiro

Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊