Obra “Acolhida”, do italiano Edoardo Ettorre, inaugura no Arsenal da Esperança em 21/4 e celebra 30 anos da maior casa de acolhida de SP.
Um mural de 26 metros de largura por 8 metros de altura vai ocupar a fachada externa do Arsenal da Esperança, na Mooca, zona leste de São Paulo. A obra, intitulada “Acolhida”, é assinada pelo artista italiano Edoardo Ettorre e será inaugurada no feriado de 21 de abril de 2026, a partir das 15h. Visível aos passageiros da Linha 10-Turquesa da CPTM, no trecho entre as estações Brás e Juventus-Mooca, a pintura poderá ser apreciada por cerca de 400 mil pessoas por dia, segundo dados do Estadão Mobilidade (2025).
Um gesto que resume trinta anos de história
A imagem é direta: um homem em situação de rua, sentado no chão, recebe a mão estendida de outra pessoa que o ajuda a se levantar. Esse gesto, ao mesmo tempo simples e carregado de significado, sintetiza a missão do Arsenal da Esperança: apoiar, erguer e reconstruir vidas. A obra integra as comemorações dos 30 anos da instituição, fundada em 1996, e foi desenvolvida em parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, com curadoria de Giulia Lavinia Lupo, da empresa cultural She Wolf by Giulia.
Ettorre é natural de Giulianova, na região de Abruzzo, e é considerado uma das vozes mais refinadas do muralismo italiano contemporâneo. Com cerca de 60 murais já realizados, ele veio ao Brasil especialmente para este projeto. Sua arte funde realismo pictórico, sugestões oníricas e um uso preciso da cor e da luz. “O papel da arte urbana também é transmitir mensagens fortes, especialmente de esperança. Em um contexto como este, isso se torna ainda mais significativo”, afirmou o artista.
Arte nascida do contato com os acolhidos
Antes de iniciar a pintura, Ettorre visitou o Arsenal e teve contato direto com os homens atendidos pela instituição. A interação transformou o projeto: o primeiro esboço, desenvolvido à distância, ganhou novos contornos após essa troca. “Envolver as pessoas do local onde vou pintar é sempre enriquecedor, especialmente em um contexto tão singular. É uma oportunidade de troca que dificilmente aconteceria em outras circunstâncias”, destacou o artista.
A curadora Giulia Lavinia Lupo ressaltou o impacto da visita: “Conhecer o espaço e as pessoas trouxe uma dimensão muito mais profunda. O próprio Edoardo comentou que ficou surpreso com a atmosfera do local — uma energia tranquila e acolhedora que contrasta com a imagem mais acelerada de São Paulo.”
“Acolher significa reconhecer o outro, criar espaço e oferecer dignidade.”
O maior centro de acolhida de São Paulo
Instalado no prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes, na Rua Dr. Almeida Lima, 900, o Arsenal da Esperança atende diariamente 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social — brasileiros e estrangeiros. A obra é conduzida pela Associação Assindes Sermig e foi iniciada por Ernesto Olivero e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. Além do acolhimento, a instituição oferece cursos de capacitação profissional, biblioteca, grupos de apoio (NA e AA), quadra de futebol e sala de jogos, entre outros serviços. Entre seus parceiros estão a Prefeitura de São Paulo (SMADS), o SENAI e o SEBRAE.
A instituição acumula dezenas de prêmios por sua atuação social, entre eles o Salva de Prata, maior honraria da Câmara Municipal de São Paulo, concedido em 4 de dezembro de 2024. O tema da obra também dialoga com a Campanha da Fraternidade 2026, dedicada à questão da moradia. “Moradia não é apenas estrutura física — é direito, dignidade e pertencimento. Que esta obra inspire cada pessoa a refletir sobre essa necessidade fundamental. Porque acolher é reconhecer que ninguém deve caminhar sozinho”, conclui o padre Simone Bernardi, diretor do Arsenal.
Arte que ocupa o espaço público
A localização do mural não é casual. O trecho da Linha 10-Turquesa da CPTM onde a obra será visível é historicamente ligado à migração entre Santos e São Paulo — o mesmo território onde o Arsenal da Esperança hoje recebe homens de diversas origens. “Queríamos criar uma obra capaz de se comunicar com um público que, mesmo passando todos os dias ao lado do Arsenal, ainda não conhece a instituição e o que dentro dela se realiza”, explica padre Simone Bernardi.
Para a curadora, a arte urbana tem o poder de requalificar percepções sobre o território. “Mais do que estar presente, a obra ajuda a construir novos olhares sobre o território e sobre as histórias que ele carrega”, afirma Giulia Lavinia Lupo.
Serviço
- Evento: Inauguração do Mural Artístico “Acolhida”
- Data: Terça-feira, 21 de abril de 2026, a partir das 15h
- Local: Salão Vida Fraterna do Arsenal da Esperança — Rua Dr. Almeida Lima, 900, Mooca, São Paulo
- Curadoria: Giulia Lavinia Lupo (She Wolf by Giulia)
- Realização em parceria com: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo
- Como ajudar: PIX CNPJ 62.459.409/0001-28 (Associação Assindes Sermig) | Banco Santander: Ag. 0144 – Conta 13-003147-6 | Também via Nota Fiscal Paulista ou voluntariado
- Contato: arsenaldobrasil@gmail.com | (11) 94235-3233
- Site: arsenaldaesperanca.org.br
- Redes sociais: IG: @arsenal_da_esperanca | YT: @arsenaldobrasil | FB: facebook.com/arsenaldaesperanca



Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊
