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Olga Benario: aula aberta reúne Andreia Prestes e Victória Grabois

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Nove décadas após a extradição de Olga Benario Prestes para o regime nazista, as trajetórias de duas linhagens históricas da resistência política brasileira convergem em um debate aberto no cais da zona portuária.

As experiências de famílias que vivenciaram a perseguição e a clandestinidade no Brasil conduzem a aula aberta gratuita que a Companhia Ensaio Aberto realiza no Armazém da Utopia. A atividade reúne a historiadora Andreia Prestes, neta dos dirigentes comunistas Carlos Prestes e João Massena, e a cientista social Victória Grabois, cofundadora do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e filha de Maurício Grabois, fundador do Partido Comunista do Brasil.

Pedimos àqueles que vierem depois de nós não a gratidão por nossas vitórias, mas a rememoração de nossas derrotas.

O debate parte do tema “História, memória e luta” e se conecta diretamente à temporada da peça teatral em cartaz no Teatro Vianinha. A realização ocorre no marco de 90 anos da extradição de Olga Benario pelo governo de Getúlio Vargas para a Alemanha de Adolf Hitler, fato consumado exatamente no porto do Rio em 23 de setembro de 1936.

Olga Benario: aula aberta reúne Andreia Prestes e Victória Grabois
Foto: Divulgação

Documentos históricos e palco documental

A montagem que acompanha a aula utiliza a linhagem do teatro documentário desenvolvida por Peter Weiss e Erwin Piscator. Para erguer a narrativa, a equipe artística desenterrou arquivos judiciais, relatórios policiais e depoimentos originais que confrontam a história oficial sobre a militante executada em Bernburg em 1942.

Com direção e dramaturgia assinadas por Luiz Fernando Lobo, o espetáculo traz a atriz Tuca Moraes no papel-título e percorre desde o treinamento de Olga como agente em Moscou até sua atuação na segurança do Cavaleiro da Esperança e a posterior prisão do casal no Méier.

Fundada em 1992, a companhia mantém sua pesquisa focada no teatro épico como ferramenta de intervenção social. O espaço cênico na zona portuária agrega peso simbólico imediato ao tema, posicionando o público no mesmo ponto geográfico por onde a ativista alemã foi enviada grávida para o campo de extermínio.

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