Com um dragão de seis metros sobrevoando a plateia, “O Dragão” de Eugène Schwartz estreia no Armazém da Utopia em 1º de maio com a Companhia Ensaio Aberto.
Há 400 anos, uma cidade é dominada e enganada por um dragão de três cabeças. Um povo que não conhece a verdadeira liberdade. Essa é a premissa de O Dragão, do dramaturgo russo Eugène Schwartz, que escreveu a peça entre 1939 e 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. A Companhia Ensaio Aberto traz a obra ao Rio de Janeiro em grande dispositivo cênico, com estreia no dia 1º de maio de 2026, no Armazém da Utopia, no Cais do Porto.
Uma fábula escrita na véspera do apocalipse
Schwartz iniciou a dramaturgia de O Dragão em 1939, ano em que Hitler e Stalin assinaram o Pacto Germano-Soviético. Era, nas palavras da época, “meia-noite no século”. Em 1941, Hitler rompeu o acordo com a Operação Barbarossa, invadindo a União Soviética. Com Stalingrado sitiada e o destino do mundo em disputa, Schwartz foi banido com toda a companhia do Teatro de Comédia de Leningrado para a então cidade de Duchambé, no Tajiquistão. Foi lá, em 1943, que ele concluiu a peça.
“Não se conta um conto de fadas para esconder, mas para revelar”, afirmou o próprio Schwartz. A obra é, portanto, muito mais do que fantasia. É uma denúncia precisa sobre tirania e sobre os mecanismos que fazem um povo aceitar sua própria opressão.
Direção e escolhas estéticas
A montagem é dirigida por Luiz Fernando Lobo, que também interpreta o dragão. Segundo o diretor, o espetáculo dialoga diretamente com o presente: “O texto traz de volta as conquistas do teatro russo-soviético dos anos 20 e 30. É oportuno e necessário, especialmente quando nos encontramos na iminência de uma possível 3ª Guerra Mundial e assistimos passivamente ao assassinato de milhares de civis em Gaza, no Líbano e em outras partes do mundo.”
“O Dragão” é uma peça que, apesar de escrita em 1943, traz de volta as conquistas do teatro russo-soviético dos anos 20 e dos anos 30. Um texto profundamente político, onde a fantasia tem um papel fundamental. O espetáculo é oportuno e necessário, especialmente quando nos encontramos na iminência de uma possível 3ª Guerra Mundial e assistimos passivamente ao assassinato de milhares de civis em Gaza, no Líbano e em outras partes do mundo. — Luiz Fernando Lobo, diretor
A encenação une o encantamento dos contos fantásticos às cores de Chagall e à memória histórica de luta. O cenógrafo J. C. Serroni criou o grande dispositivo cênico. O destaque visual fica por conta da traquitana projetada por Claudio Baltar, na qual Lancelot e o dragão — com seis metros de envergadura — sobrevoam a plateia.
Elenco e equipe técnica
São 24 atores em cena, entre personagens, coro operário, lanceiros e tropa de choque. Leonardo Hinckel interpreta Lancelot; Luiza Moraes, Elsa; Tuca Moraes, o gato; Gilberto Miranda, Carlos Magno; Claudio Serra, o burgomestre; e Mateus França, Henrique.
Os figurinos são assinados por Beth Filipecki e Renaldo Machado. A iluminação é de Cesar de Ramires, a direção musical e trilha original de Felipe Radicetti. A preparação corporal é de Luiza Moraes, e a acrobacia aérea leva a assinatura de Adelly Costantini e Lana Borges. O grande dragão, a máscara do gato e outros adereços foram confeccionados por Eduardo Andrade.
A tradução da peça é da escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. A direção de produção é de Tuca Moraes, e a produção executiva é assinada por Aninha Barros.
Patrocínio e apoio
O espetáculo é patrocinado pela Petrobras via Lei Rouanet, Lei de Incentivo Fiscal à Cultura. Onde tem cultura, tem Governo do Brasil. O projeto também conta com o apoio da CSN — Companhia Siderúrgica Nacional, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro (ICMS) e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec).
Serviço
- Estreia: 1º de maio de 2026
- Local: Armazém da Utopia (Armazém 6, Cais do Porto, s/n), Rio de Janeiro
- Lotação: 300 lugares
- Horário: Sextas, sábados, domingos e segundas, às 20h | Abertura da casa 1h antes do início
- Temporada: 1º de maio a 8 de junho de 2026
- Classificação indicativa: 12 anos
- Duração: 105 minutos
- Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) | Valores sociais para grupos pelo WhatsApp (21) 97976-0046
- Vendas: www.sympla.com/armazemdautopia ou pelo WhatsApp (21) 97976-0046

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