A travessia de uma mãe no deserto ganha contornos de resistência cultural e política para reivindicar o direito fundamental de existência de um povo.
Uma narrativa milenar ganha os palcos cariocas ao resgatar a figura de Agar, descrita na Torá, na Bíblia e no Corão como mãe de Ismael. Na encenação produzida pela Obalufônica, a personagem central rompe com imposições de época e confronta o abandono para exigir a sobrevivência e a herança dos seus descendentes.
Partimos de um conceito de patrimônio imaterial que trata sobre como um território é mais que um chão, ele é fundamental para o assentamento existencial de um povo.
O enredo acompanha a jornada limite de mãe e filho durante o deslocamento árido, expostos à escassez de mantimentos e água. Sob a interpretação da atriz Tatiana Henrique no papel-título, de Hebert Said como Ismael e de Sheila Martins na representação de DeusA, a trama projeta dilemas geopolíticos e sociais na trajetória dos povos originários e comunidades tradicionais.

Ancestralidade e cruzamentos culturais
A montagem articula as pesquisas cênicas desenvolvidas pelo núcleo criativo em matrizes africanas, afro-brasileiras e árabes ao longo de mais de duas décadas. A dramaturgia estabelece conexões diretas entre a vivência histórica dos povos pretos e as memórias da imigração e do refúgio.
Em cena, a dramaturgia textual adota diálogos e expressões em português, copta e árabe. A estrutura visual e narrativa incorpora projeções em videomapping e legendas, integrando a tradução em LIBRAS e o recurso de audiodescrição como dispositivos poéticos da encenação.

Serviço
- Espetáculo: Agar
- Local: Teatro Correios Léa Garcia
- Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, RJ
- Temporada: 01 a 03 de outubro, de quinta a domingo
- Horário: Quintas e sextas, às 19h; sábados às 16h e 19h
- Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
- Vendas: ingresso.com
- Classificação indicativa: 12 anos

