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Solo Bigorna cruza terror, autoficção e cultura pop no Bixiga

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Cruzando referências de clássicos do horror com a cultura pop dos anos 1990, o espetáculo solo investiga as marcas do isolamento e os caminhos da aceitação em uma temporada intimista no centro da capital paulista.

O confinamento de um familiar mantido por quase trinta anos em um quarto com grades serve de faísca para a narrativa de BIGORNA – um thriller autoficcional. Idealizado, escrito e interpretado pelo ator Walmick de Holanda, o trabalho chega aos palcos da Casa Farofa, no tradicional bairro do Bixiga, logo após cumprir temporada no Sesc Vila Mariana.

Percebi que o medo que eu tinha de me transformar no meu tio era, na verdade, o medo de me tornar o diferente da família, alguém destinado a viver à margem.

Solo Bigorna cruza terror, autoficção e cultura pop no Bixiga
Foto: Cacá Bernardes

Memória familiar e estética do horror

A montagem articula teatro documental, humor e elementos cinematográficos para recompor a trajetória de um menino gay e gordo que cresceu sob a sombra de um mistério doméstico. A figura do parente isolado sem diagnóstico formal, observada durante a infância pelas lentes fantásticas do horror, passa a dialogar com as violências do bullying sofrido pelo próprio artista ao longo de seu crescimento.

Ícones que marcaram gerações, como Xuxa, Power Rangers e Michael Jackson, dividem o espaço cênico com memórias sombrias, evidenciando o contraste entre as válvulas de escape da imaginação infantil e as tensões que cercavam o ambiente familiar. O caminho de aceitação do protagonista deságua mais tarde no acolhimento encontrado junto à comunidade dos Ursos.

Solo Bigorna cruza terror, autoficção e cultura pop no Bixiga
Foto: Cacá Bernardes

Pesquisa acadêmica e estreia na dramaturgia

O processo de escrita e montagem começou a ser gestado em 2022, derivado das investigações de mestrado em Artes desenvolvidas pelo ator na Universidade Federal do Ceará (UFC). O projeto também passou pelo crivo do Núcleo de Direção da Escola Livre de Teatro de Santo André, sob a supervisão artística de Luiz Fernando Marques Lubi, marcando formalmente a primeira investida do artista na direção e na escrita dramática autoral.

Com sessões marcadas entre 18 e 27 de setembro de 2026, a montagem opera sob atmosfera intimista voltada a plateias reduzidas, mantendo recursos de acessibilidade em Libras e suporte de audiodescrição em sua ficha operacional.

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