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Viagem por 100 anos de MPB marca espetáculo gratuito no Franz Cabaret

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A evolução da música popular brasileira ao longo de um século ganha vida nos palcos em um encontro que resgata desde a boemia dos anos 1920 até a estética contemporânea.

O imaginário cultural do país será traduzido em acordes durante a nova atração do Festival Cultural Franz Cabaret. No palco, a voz de Bárbara Damásio e as teclas do pianista Luiz Gustavo Zago se unem para guiar o público por uma travessia sonora pelas últimas dez décadas da produção nacional. O roteiro não apenas resgata clássicos, mas desenha um mapa de como a sociedade se expressou ao longo do tempo.

A proposta é observar, por meio das músicas, as transformações na poética, nas melodias e no imaginário cultural brasileiro ao longo das décadas.

Uma cartografia sonora pelas décadas

Para materializar esse século de história, o repertório passeia por diferentes gerações de compositores. O ponto de partida ancora nos anos 1920, representados por “Jura”, de Sinhô. A viagem avança para a década seguinte com a clássica “Conversa de Botequim”, de Noel Rosa e Vadico, cruzando a melancolia dos anos 1940 em “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues, até desaguar no balanço de “Maracangalha”, de Dorival Caymmi, marcando os anos 1950.

A seleção avança por transformações rítmicas e estéticas mais profundas. Clássicos como “Berimbau”, parceria entre Baden Powell e Vinícius de Moraes, dividem espaço com a força de “Canto das Três Raças”, imortalizada nas vozes do povo brasileiro a partir de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro. O espetáculo mergulha ainda na obra de Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Gilberto Gil e na sensibilidade de Chico Buarque, chegando aos ecos da produção de Adriana Calcanhotto e das décadas de 2000, 2010 e 2020.

Conexão de longa data nos palcos

A intimidade musical entre os protagonistas do espetáculo não é recente. A parceria nasceu no projeto “Mulheres do Samba”, com a Orquestra Brasileira, idealizado por Zago. Desde então, a colaboração se expandiu em trabalhos focados na memória musical do país. O duo agora é enriquecido pela percussão de William Goe e pela base sólida de Tie Pereira, que se alterna entre o contrabaixo e o violão.

A trajetória de ambos endossa o peso do projeto. Bárbara comanda há duas décadas a roda Samba de Bárbara, com raízes em Itajaí, além de trazer no currículo o elogiado álbum autoral “Áudio Retrato” e colaborações com nomes como Elza Soares. Já o arranjador e compositor foca sua caminhada na música instrumental e na reinterpretação de pilares da cultura brasileira.

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