Intelectuais, advogadas, desembargadora e ativistas se reuniram no CEAP, na Gamboa, para debater violência contra mulheres negras e construir redes de enfrentamento.
No dia 14 de abril, o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, abriu suas portas para o encontro “Elas no CEAP: Raça, Gênero e Classe – Violência contra Mulheres”. O evento reuniu mulheres de diferentes áreas em um debate qualificado sobre as múltiplas formas de violência que atingem, sobretudo, as mulheres negras no Brasil. A entrada foi franca e a iniciativa integrou a programação do Festival Cultural Inter-Religioso “Cantando a Gente se Entende”.
Uma rede construída por muitas mãos
O encontro foi idealizado pela professora doutora Mariana Gino, diretora executiva adjunta do CEAP. O objetivo central foi construir e fortalecer redes de luta e enfrentamento à violência de gênero no Rio de Janeiro. Em sua primeira edição, o evento reuniu intelectuais negras, articuladoras sociais e culturais, além de representantes do Judiciário, da saúde, da assistência social e dos movimentos negros cariocas.
Para Mariana Gino, a iniciativa marcou a retomada de projetos voltados à promoção e à salvaguarda dos direitos das mulheres de existir, viver e escolher. Em uma sociedade profundamente marcada pela violência de gênero, a construção de uma rede coletiva reafirmou os princípios da filosofia Ubuntu e os valores históricos que orientam o CEAP.
Políticas públicas no centro do debate
Entre os pontos mais ressaltados pelas participantes esteve a centralidade da ação coletiva. Também ganhou destaque a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à segurança, à saúde e às condições de sobrevivência social e econômica das mulheres em situação de violência. O debate cruzou saberes técnicos, vivências e ancestralidade, tornando o espaço plural e de efetiva incidência política.
Em sua gênese, o CEAP sempre acolheu ações e projetos voltados para os direitos das mulheres. O ‘Elas no CEAP’, idealizado pela professora Mariana Gino, representa o encontro entre experiências de luta e militância com a própria história do CEAP. Acredito que, além de apoiar as ações que serão desdobradas, é fundamental participar, ouvir o que as mulheres têm a dizer e promover essas vozes. — Babalawô Ivanir dos Santos, professor e orientador do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ (PPGHC/UFRJ)
Vozes que fizeram a diferença
O CEAP prestou reconhecimento especial à mediação de Mariana Gino, cuja condução sensível foi fundamental para a construção de um espaço acolhedor. A instituição também agradeceu às convidadas que tornaram o debate possível:
- Carolina Maciel, psicóloga
- Edmeire Exaltação, socióloga
- Lucileia Batista, assistente social
- Mônica Alexandre, advogada
- Márcia Leal, desembargadora
- Rosana Corrêa, enfermeira
- Clátia Vieira, representante do Fórum de Mulheres
- Pollyne Avalino, Mãe de Wakanda
- Isa Moreira, historiadora e integrante do Muvuka
- Erica Pinheiro, do CEAP
Com trajetórias marcadas pelo compromisso com a justiça social, cada uma contribuiu de forma singular para um debate potente, reafirmando a força coletiva no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Serviço
- Evento: Elas no CEAP: Raça, Gênero e Classe – Violência contra Mulheres
- Data: 14 de abril de 2026
- Local: CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, Gamboa, Rio de Janeiro
- Entrada: Franca
- Realização: CEAP, com idealização da Prof.ª Dr.ª Mariana Gino
- Parte integrante do: Festival Cultural Inter-Religioso “Cantando a Gente se Entende”



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