O Fuzuê Junino transforma o Viaduto de Madureira, no dia 18 de junho, em um ponto de encontro entre diferentes tradições populares que marcam o ciclo junino no Brasil. A partir das 20h, o público poderá acompanhar uma programação gratuita que vai além das quadrilhas, reunindo jongo, coco, samba de roda, forró e outras manifestações culturais em uma celebração que valoriza a diversidade dos patrimônios imateriais.
Enquanto boa parte dos arraiais cariocas concentra suas atrações em torno das quadrilhas, a proposta do evento é ampliar esse repertório e destacar outras expressões que também fazem parte dessa época do ano. A iniciativa aposta na convivência entre linguagens culturais distintas, promovendo uma experiência mais abrangente para o público.
Um olhar ampliado sobre o ciclo junino
Idealizado pela Companhia de Aruanda, o Fuzuê Junino nasce justamente dessa intenção de dar visibilidade a tradições que, embora profundamente enraizadas na cultura brasileira, nem sempre ocupam espaço de destaque nas festas urbanas. A presença de ritmos e práticas como o jongo e o coco reforça a conexão com heranças afro-brasileiras e nordestinas que ajudaram a moldar a identidade cultural do Rio de Janeiro.
“O Rio de Janeiro, por exemplo, recebeu um contingente significativo de migrantes de todo o Nordeste. Com eles, vieram as tradições que enriqueceram ainda mais a cultura carioca. Isso fica bem claro durante o período junino, com as quadrilhas espalhadas pela cidade. Porém, em todos esses eventos ainda é muito rara a presença de outras tradições além da quadrilha. Aí vem o diferencial do Fuzuê Junino, que traz a diversidade desses patrimônios”, afirma Rodrigo Nunes, gestor da Companhia de Aruanda.
Essa diversidade se materializa na programação, que reúne diferentes linguagens em uma mesma noite, criando um ambiente de troca entre artistas e público.
Programação mistura ritmos e manifestações
Ao longo da noite, o público poderá assistir a apresentações conduzidas pela Companhia de Aruanda, que traz ao palco o jongo, o coco e o samba de roda, além de participar de momentos de forró e quadrilha com a Banda Flor de Manacá. A proposta vai além do espetáculo: o evento busca criar uma vivência cultural coletiva, em que diferentes tradições dialogam entre si.
Mais do que reunir apresentações, o Fuzuê Junino propõe um espaço de reconhecimento e valorização dessas práticas, muitas vezes transmitidas de geração em geração. A convivência entre essas expressões reforça a ideia de que a cultura popular é múltipla, dinâmica e constantemente reinventada.
“As atividades fomentam a manutenção e a salvaguarda das tradições entendendo que elas vão passar por adaptações, influências, transformações e traduções para que dialoguem com o tempo presente”, pontua Rodrigo. “Por seu caráter dinâmico e mutável, as tradições, quando fomentadas a sempre fazer parte do cotidiano das comunidades, não correm o risco de se tornarem engessadas ou esvaziadas de sentido. Muito pelo contrário. É assim que mostram o quanto estão cada vez mais fortes, dinâmicas e atuais”, completa.
Projeto fortalece cultura em diferentes territórios
O evento integra as ações da Escola de Patrimônio Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, iniciativa voltada à valorização das manifestações culturais que atravessam gerações. Ao longo do ano, o projeto promove atividades gratuitas em cinco territórios fluminenses: Guapimirim, Tarituba (Paraty), Quissamã, Madureira e Magé.
A proposta articula formação, memória, cultura popular e economia criativa, estabelecendo pontes entre tradição e contemporaneidade. Ao ocupar espaços públicos e dialogar diretamente com as comunidades, a Escola de Patrimônio contribui para fortalecer vínculos culturais e estimular a continuidade dessas práticas.
No caso do Fuzuê Junino, essa atuação se traduz em uma experiência acessível e aberta ao público, que conecta diferentes expressões culturais em um mesmo território, ampliando o acesso e o reconhecimento dessas tradições.
Parcerias e realização
A realização é da Companhia de Aruanda em parceria com o Instituto Floresta, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
A iniciativa reforça o papel das políticas públicas e dos investimentos culturais na preservação e difusão do patrimônio imaterial, especialmente em contextos urbanos onde essas manifestações encontram novos caminhos para se manter vivas.
Serviço
- Fuzuê Junino
- Quando: quinta-feira, 18 de junho, a partir das 20h
- Onde: no Viaduto de Madureira — em Madureira, Rio de Janeiro / RJ
- Quanto: Gratuito
- Classificação: Livre



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