Criado a partir de vivências com o TEA, sabor Abril Azul vira símbolo permanente de inclusão em gelateria de Ubatuba.
O que começou como um incômodo pessoal virou um projeto contínuo de inclusão. A Gelateria São Paulo, em Ubatuba, transformou sua relação com o Transtorno do Espectro Autista em prática diária — e agora também em sabor. O lançamento do gelato Abril Azul marca um novo capítulo dessa trajetória, que já dura mais de uma década.
Presente nas unidades do Itaguá, Praia Grande e Ribeira, a gelateria vem implementando, desde 2012, adaptações pensadas para reduzir impactos sensoriais. A proposta nasceu da própria fundadora, Marjory, que sempre se sentiu incomodada com luzes intensas e ambientes barulhentos — sensações que mais tarde fariam sentido após seu diagnóstico tardio de TEA.
A história ganhou ainda mais força com o diagnóstico precoce de sua filha, Nina, pouco depois de completar um ano. A partir daí, o que era percepção individual virou missão. “Receber o diagnóstico não foi e não é fácil, não existe romantização nesse processo. Foi difícil, trouxe muitas incertezas e medos, mas também representou um alívio por entender o que sempre vivi. A partir daí, meu foco passou a ser o de tornar a vida de pessoas com TEA mais leve, com mais acolhimento e empatia”, afirma Marjory.
Ambiente adaptado na prática
As mudanças nas unidades vão além do visual. Elas foram pensadas para impactar diretamente a experiência de quem vive com hipersensibilidade sensorial. A iluminação foi ajustada para ser mais suave, os níveis de som são monitorados e os sabores são apresentados com identificação clara, facilitando escolhas sem sobrecarga.
Outro ponto central é o preparo da equipe. Os funcionários são orientados a manter uma comunicação direta e previsível, reduzindo ambiguidades e tornando o atendimento mais confortável. O objetivo não é apenas adaptar o espaço físico, mas tornar toda a experiência mais acessível.
Esse tipo de iniciativa acompanha um movimento mais amplo no Brasil. Com o aumento dos diagnósticos de TEA e o avanço das discussões sobre inclusão, cresce também a demanda por ambientes que considerem diferentes formas de percepção e interação.
Um sabor com significado
É nesse contexto que surge o Abril Azul, agora incorporado de forma permanente ao cardápio. O gelato leva baunilha bourbon, creme de leite fresco, leite e spirulina azul — uma microalga natural que dá a cor vibrante associada à campanha de conscientização sobre o autismo.
Mais do que uma novidade gastronômica, o sabor funciona como um símbolo. Ele materializa uma história pessoal e reforça o compromisso da marca com a inclusão, transformando um gesto simples — escolher um gelato — em um momento de identificação e acolhimento.
Além disso, iniciativas como essa ajudam a ampliar o debate público. Segundo o Ministério da Saúde, a identificação precoce e a adaptação de ambientes são fundamentais para garantir maior participação social de pessoas com TEA. Ou seja, o impacto vai além do consumo: ele toca diretamente a qualidade de vida.
“Acredito que quanto mais informações sobre o assunto, mais fácil se torna a convivência entre pessoas com e sem o diagnóstico do espectro autista. Minhas ações têm sido nesse sentido”, finaliza Marjory.
Foto: Divulgação

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