O Bar Stuart reabre em Curitiba carregando muito mais do que uma nova configuração arquitetônica. Após dois anos e cinco meses de portas fechadas, o espaço volta à cena com um projeto que transforma memória em experiência, resgatando mais de um século de histórias que ajudaram a moldar sua relevância na cidade.
Fundado em 1904, o Stuart atravessou gerações e se consolidou como um dos bares mais emblemáticos da capital paranaense. A reabertura não apenas devolve o endereço ao público, mas reposiciona o espaço como um ponto de encontro entre passado e presente, com uma proposta que vai além da estética e mergulha na identidade cultural de Curitiba.
Um projeto que nasce da memória coletiva
Responsável pela reinterpretação do espaço, o arquiteto André Henning encarou o projeto como um exercício de escuta e reconstrução histórica. Antes mesmo de iniciar os desenhos, ele e sua equipe realizaram uma extensa pesquisa que envolveu arquivos, bibliotecas, jornais, fotografias e relatos de antigos frequentadores.
O processo também contou com contribuições da chamada Confraria do Stuart e de personagens que acompanharam a trajetória do bar ao longo das décadas. O objetivo era claro: entender o que fazia do Stuart um símbolo tão forte para a cidade e traduzir isso em arquitetura.
“O Stuart é um dos endereços mais queridos da cidade. Quando recebemos esse desafio, entendemos que não estávamos projetando apenas um bar, mas lidando com uma parte importante da história de Curitiba.”
A abordagem resultou em um projeto que não tenta congelar o passado, mas sim organizá-lo em camadas, criando uma narrativa visual que atravessa diferentes épocas.
Um espaço que reúne diferentes épocas
Em vez de reproduzir um período específico, o novo Bar Stuart reúne referências de várias fases de sua existência. O balcão remete às décadas de 1930 e 1940, enquanto a iluminação traz elementos dos anos 1990. Já cores, revestimentos e acabamentos dialogam com os anos 2000.
O projeto também incorpora reproduções de mobiliários históricos, lambris e porta-chapéus, compondo uma ambientação que reconstrói a atmosfera do bar em diferentes momentos de sua trajetória. Cada detalhe foi pensado como um fragmento da memória coletiva curitibana.
Segundo Henning, a intenção é ampliar a percepção do visitante sobre o espaço, oferecendo uma leitura mais completa de sua história.
“A ideia é que o visitante não enxergue apenas o Stuart dos últimos anos. Ele vai conhecer o Stuart em sua totalidade.”
Arquitetura como experiência cultural
Mais do que um bar, o novo Stuart se aproxima de um espaço expositivo. Ao circular pelo ambiente, o público encontrará fotografias, documentos, objetos e referências que ajudam a contextualizar a importância do local para a cidade.
A proposta transforma a visita em uma experiência narrativa, em que cada elemento cumpre um papel informativo e simbólico. O espaço passa a funcionar como um museu vivo, no qual a história não está isolada, mas integrada ao cotidiano.
“O cliente vai entrar quase como um turista visitando um museu. Ele vai conhecer histórias, entender o significado dos elementos presentes no espaço e perceber que praticamente nada ali foi colocado por acaso.”
Essa abordagem reforça o papel do Stuart não apenas como ponto gastronômico, mas como um espaço de memória ativa, capaz de conectar diferentes gerações por meio de experiências compartilhadas.
Atualização estrutural e novos espaços
Além da curadoria histórica, o projeto também incorpora melhorias estruturais importantes. Foram implantados novos banheiros, incluindo uma unidade adaptada, além da modernização das áreas de apoio e ampliação da cozinha.
As intervenções buscam garantir conforto, acessibilidade e eficiência operacional, alinhando o espaço às demandas contemporâneas sem comprometer sua identidade histórica.
Uma segunda etapa do projeto prevê a criação de um novo pavimento superior, concebido como uma área dedicada à memória e convivência. O espaço reunirá objetos, documentos e peças históricas coletadas ao longo da pesquisa, muitas delas cedidas por frequentadores e admiradores do bar.
Um projeto construído a partir de histórias reais
Para André Henning, o trabalho no Bar Stuart foge da lógica tradicional da arquitetura autoral. Em vez de impor uma assinatura estética, o projeto foi guiado por narrativas já existentes, organizadas e traduzidas em forma de espaço.
Essa relação direta com a memória coletiva transforma o arquiteto em um mediador entre passado e presente, responsável por dar continuidade a uma história que pertence à cidade.
“Eu me vejo muito mais como alguém que organizou, traduziu e deu forma a histórias que já existiam.”
A reabertura do Stuart marca, assim, não apenas o retorno de um bar tradicional, mas a recuperação de um espaço simbólico da identidade urbana de Curitiba, onde memória e experiência se encontram de forma contínua.
Sobre André Henning
À frente do André Henning Studio, o arquiteto e empresário construiu uma trajetória voltada à arquitetura de negócios, com atuação destacada nos segmentos de gastronomia, entretenimento e varejo. Seus projetos articulam estratégia, identidade de marca e experiência do usuário.
Com mais de uma década de atuação e centenas de projetos realizados em todo o Brasil, Henning também é cofundador da Go Coffee, rede de cafeterias presente em todos os estados do país. Essa vivência empresarial influencia diretamente sua arquitetura, que combina sensibilidade criativa com visão de operação e desempenho.
Mais informações: https://andrehstudio.com e Instagram @andrehenning.
Serviço
- Bar Stuart – @barstuart_oficial
- Endereço: Praça Gen. Osório, 427 – Centro – Curitiba
- Horário de funcionamento: De segunda a sábado, das 10h às 23h.



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