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O Cerrado no prato: menu autoral na Lapinha da Serra

O Restaurante Casulo transforma jatobá em nhoque e arroz vermelho em risoto no menu “Lapinha Memória Viva”, raiz viva do Cerrado mineiro.

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Memória, território e sabor em cada etapa

Na Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho, em Minas Gerais, o Restaurante Casulo desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa e criação a partir dos ingredientes do Cerrado e da cultura alimentar local. O menu degustação “Lapinha Memória Viva”, assinado pela chef Marina Leite, traduz esse território em uma sequência de pratos construída com insumos, histórias e modos de preparo da região.

Mais do que um exercício de técnica, o menu nasce de um levantamento minucioso sobre o que se come na Lapinha. Ao longo de anos, Marina mapeou ingredientes presentes nos quintais da comunidade, conversou com moradores antigos e identificou produtos que formam a identidade alimentar do povoado.

Ingredientes que carregam história

Entre os insumos centrais do menu estão arroz vermelho, feijão de corda, amendoim preto, banana capucha, pequi, murici e jatobá. Cerca de 80% dos ingredientes utilizados no Casulo vêm de produtores da própria região, o que determina não apenas o sabor dos pratos, mas também o ritmo da cozinha, guiado pela sazonalidade e pela disponibilidade do território.

Essa abordagem leva a uma cozinha que se constrói a partir do que existe — e não o contrário. Ingredientes historicamente associados à subsistência ganham novas leituras: a banana capucha aparece em diferentes preparos, o jatobá se transforma em nhoque e o arroz vermelho assume o formato de risoto sem perder sua origem.

O Cerrado não aparece como referência estética, mas como base real de construção da cozinha.

Gastronomia como economia e preservação

O menu também incorpora práticas que vão além do prato. O Casulo incentiva o cultivo de ingredientes locais e fortalece produtores da região, articulando gastronomia e economia local. Ao trazer esses insumos para o centro da experiência, o restaurante contribui para manter ativos saberes e cultivos que, em muitos casos, vinham sendo deixados de lado.

A experiência se completa com uma seleção de vinhos mineiros, escolhidos para dialogar com os pratos e reforçar a ideia de uma cozinha conectada ao território.

Com o “Lapinha Memória Viva”, o Casulo consolida um projeto que ultrapassa o restaurante e se posiciona como um trabalho de pesquisa, criação e preservação do Cerrado mineiro.


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