A divisão extrema entre privilégio e opressão serve de pano de fundo para uma narrativa distópica que coloca a invenção tecnológica e a sensibilidade humana no centro da resistência social.
Ao construir uma alegoria sobre as disparidades econômicas e a segregação de classes, o escritor Eliander A. Costa apresenta o romance de ficção científica O Homem-Máquina de Taruã. Na trama, a sociedade é estruturada em torno de um condomínio delimitado por regras rígidas e quase imutáveis, cindido rigidamente entre o “Lado de Lá” — reduto de famílias ricas, poderosas e escravagistas — e o “Lado de Cá”, onde trabalhadores sobrevivem sob condições degradantes para sustentar o topo da pirâmide.
Apesar de a obra passar pelo campo da tecnologia, o texto exalta a poesia e seu poder emancipador de contribuir com o processo de humanização das pessoas. Taruã foca na construção de um homem-máquina, mas a sua humanidade é tamanha que ele não permite que seus sentimentos, valores e princípios sejam mecanizados.
Nesse ecossistema autoritário, qualquer manifestação de insubordinação é reprimida com rigor, impondo castigos severos e humilhações mesmo a crianças como mecanismo de manutenção do poder geracional. A separação física e simbólica entre os dois mundos é demarcada por um aramado de ferro gradeado, contrapondo moradias precárias a construções monumentais.
Habilidade inventiva e resistência contra a opressão
A ordem estabelecida começa a ser confrontada com o amadurecimento de Taruã. Nascido no “Lado de Cá”, o protagonista destaca-se desde a infância por uma capacidade cognitiva voltada à criação tecnológica e artística. Movido pela revolta contra a exploração sistemática imposta à sua mãe e à comunidade local, o jovem arquiteta a criação de um artefato com potencial para ruir as bases daquele condomínio segregador.
A jornada do personagem desdobra-se em revelações e perigos crescentes, conduzindo a alianças inesperadas que fortalecem seu objetivo por reparação e justiça social.
Linguagem poética e debates contemporâneos
Estruturado em capítulos curtos e narrativa de ritmo dinâmico, o livro lançado pela Editora Literando utiliza os elementos clássicos da ficção especulativa para discutir temas urgentes do presente, como racismo estrutural, precarização do trabalho e direitos humanos fundamentais, reivindicando a empatia e a poesia como forças emancipatórias.
Serviço
- Título: O Homem-Máquina de Taruã
- Autor: Eliander A. Costa
- Editora: Literando
- ISBN: 978-6554088718
- Páginas: 184
- Preço: R$ 20 (e-book)
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