Uma conspiração científica atravessa décadas e conecta adolescentes a crimes da ditadura, em um thriller que usa o futuro para revisitar o passado.
Em Projeto Futuro, novo romance de Danilo Heitor, duas jovens descobrem que um experimento iniciado durante a ditadura militar brasileira nunca foi encerrado. A trama parte de um e-mail incompleto que revela o uso de presos políticos como cobaias em testes de viagem no tempo — prática retomada anos depois dentro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Voltado ao público jovem-adulto, o livro combina ficção científica e investigação para tensionar memória histórica e ética científica. A obra será apresentada na Flip 2026, com sessões de autógrafos nos dias 24 e 25 de julho, além de lançamento prévio em São Paulo.
O que acontece quando crimes de Estado deixam de ser passado e continuam operando no presente?
Adolescentes contra um sistema que insiste em se esconder
A narrativa acompanha Soraia e Leilane, estudantes prestes a concluir o ensino médio. Ao descobrirem indícios do projeto secreto, elas elaboram um plano para investigar o instituto: infiltram-se no local com a justificativa de um trabalho escolar e acessam documentos que mencionam termos como “material humano” e “descarte político”.
O avanço da investigação revela que o experimento continua ativo e protegido por interesses que ignoram limites éticos. A tensão cresce até o ponto culminante no Cemitério Dom Bosco, em Perus, local associado à vala clandestina de desaparecidos políticos. É ali que uma operação envolvendo viagem no tempo desencadeia uma sequência de eventos imprevisíveis.
Entre o luto, a amizade e a memória histórica
Além do suspense, o livro investe na construção emocional das protagonistas. A narrativa explora o luto de Soraia, sua relação com o pai e a memória de um tio desaparecido político, enquanto desenvolve a amizade com Leilane em meio às descobertas e riscos.
Outro elemento estrutural são diálogos cifrados que abrem cada capítulo, conectando a trama principal a um quebra-cabeça revelado apenas no epílogo. O recurso amplia o alcance da narrativa e reforça o vínculo entre ficção e história.
Ficção científica como ferramenta crítica
Influenciado por autoras como Ursula K. Le Guin e Octavia Butler, além de Ignácio de Loyola Brandão, Danilo Heitor utiliza a ficção científica para discutir o uso político da ciência e os limites éticos do progresso tecnológico. A obra questiona se é possível confiar em instituições quando elas próprias estão implicadas em violações de direitos humanos.
A narrativa também dialoga com debates contemporâneos sobre memória, reparação histórica e o papel das novas gerações na transformação social.
Uma escrita atravessada pela experiência pessoal
Filho de militantes perseguidos pela ditadura, o autor constrói a história a partir de uma vivência próxima ao tema. O livro homenageia Rosalina Santa Cruz e Fernando Santa Cruz, desaparecido político do período.
Professor há mais de quinze anos, ele também encontrou nas estudantes a inspiração para suas protagonistas. O romance foi desenvolvido ao longo de meses e escrito em ritmo intenso, com uma primeira versão concluída em dez dias.
Publicado pela editora País Nenhum, fundada pelo próprio autor, o livro tem 156 páginas e está em pré-venda: https://benfeitoria.com/projeto/livroprojetofuturo
Serviço
- São Paulo (SP) — 18 de julho de 2026, às 16h, na Poison Books, com Raquel Setz e Giu Murakami
- Paraty (RJ) — 24 de julho de 2026, às 21h, na Praça Aberta da Flip, sessão de autógrafos
- Paraty (RJ) — 25 de julho de 2026, às 15h, no estande da com.tato, Casa Escreva, Garota!

