Corpos, memória e desejo se entrelaçam em contos que transformam experiências íntimas em leitura política do Brasil contemporâneo.
A Flip 2026 recebe o lançamento de Bocas Mestiças, da escritora e socióloga Carolina Santos, publicado pela editora orlando. Vencedor do 2º Prêmio Tato Literário na categoria Contos, o livro reúne narrativas escritas ao longo de 12 anos, conectadas por temas como identidade, ancestralidade e resistência.
As histórias colocam em cena personagens que enfrentam imposições de raça, gênero, classe e família. A escrita alterna realismo, lirismo e elementos fantásticos para construir um mosaico de experiências atravessadas por conflitos sociais e subjetivos.
Bocas mestiças é para quem sabe que a guerra nunca terminou e que a literatura pode ser uma das últimas armas.
Do íntimo ao político em 12 anos de escrita
O percurso do livro acompanha também a trajetória da autora. O intervalo entre o primeiro conto, “Colar Essencial”, e o último, “Sem carne e em chamas”, atravessa três eleições presidenciais e três Copas do Mundo. Nesse arco, a narrativa evolui de uma busca individual por liberdade erótica para uma reflexão mais ampla sobre violência, poder e transformação.
A ideia de que o pessoal é político estrutura a obra. Um dos contos leva o leitor das margens do rio Araguaia às periferias de Brasília, conectando memória histórica e desejo de emancipação. A capital federal aparece como cenário recorrente, marcada por camadas de promessa e conflito.
Desejo como força de transformação
Mulheres, crianças e corpos dissidentes ocupam o centro das narrativas não como vítimas, mas como agentes. O erotismo surge como elemento central, associado à autonomia e à construção de identidade.
Segundo a autora, o livro trata de “corpos em disputa”, abordando temas como ancestralidade, espiritualidade, memória e território. A influência de nomes como Jorge Amado, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Conceição Evaristo e Gloria Anzaldúa aparece na forma como linguagem, espaço e experiência se entrelaçam.
Entre literatura e ativismo
Formada em Ciências Sociais pela UFG e mestre em Literatura Pós-Colonial e Estudos de Gênero, Carolina Santos constrói uma obra atravessada por vivências entre o Cerrado, Brasília e experiências internacionais. Sua atuação na defesa dos direitos das mulheres também se reflete na construção das narrativas.
A publicação integra o catálogo da editora orlando, criada por jornalistas com foco em autores independentes e projetos literários contemporâneos.
Serviço
- Lançamento: Bocas Mestiças, de Carolina Santos
- Data: 24 de julho, sexta-feira
- Local: espaço da orlando, Casa Opera, Centro Histórico de Paraty (RJ)
- Horário: 14h (mesa de conversa) e 15h (autógrafos)
- Compra: https://editoraorlando.com.br/produto/bocas-mesticas/

