Ícone do site Aurora Cultural

Marcelo Nery leva “Flores Astrais” a debates sobre herança e cura na FLIP

marcelo nery leva flores astrais a debates sobre heranca e cura na flip featured

Entre heranças coloniais, pressões sociais e memórias familiares, Marcelo Nery estreia na FLIP 2026 com um romance que transforma dor em narrativa e leva essas questões ao centro do debate literário em Paraty.

O autor mineiro Marcelo Nery apresenta seu primeiro romance, Flores Astrais, na programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty. Ele integra a mesa “Fantasmas do Cotidiano: Heranças, Rotinas e o Espelho Social”, no Auditório do Areal, reunindo autores que investigam as estruturas invisíveis que moldam a vida social brasileira.

Ao lado de Leonardo Grizo, Caio Martim e Renato, o debate aborda desde marcas do passado colonial até preconceitos e pressões contemporâneas. Após a conversa, ocorre sessão de autógrafos no próprio auditório.

As obras discutem como heranças invisíveis — históricas e sociais — continuam a moldar escolhas, afetos e pertencimentos no presente.

Entre desigualdade e pertencimento

Além da programação oficial, Marcelo Nery participa de encontros na Casa Opera, espaço da editora orlando. Na sexta-feira (24/7), ele integra a mesa “Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira”, ao lado de Maurício Mendes, Rafael Caneca e Carolina Santos.

A conversa propõe discutir o custo do pertencimento em um país marcado por desigualdades estruturais, tema que atravessa as obras dos participantes e ecoa diretamente na construção de seus personagens.

A escrita como elaboração da dor

No sábado (25/7), o autor retorna à Casa Opera para a mesa “Luto, memória e cura na literatura”, ao lado de Lucas Limão e Rafael Caneca. O encontro reflete sobre como experiências traumáticas podem ser transformadas em matéria narrativa e sobre o papel da literatura como espaço de elaboração emocional.

Em “Flores Astrais”, essa dimensão aparece na trajetória de Tiago Amaral Grandi, jornalista que retorna à fazenda da família após duas décadas. A narrativa, ambientada em 1980, articula segredos familiares, hierarquias raciais e conflitos afetivos que atravessam gerações.

A obra é descrita como uma saga familiar de tom gótico, em que passado e presente se entrelaçam. Entre os elementos centrais estão o peso do sobrenome, traumas não resolvidos e figuras que tensionam a realidade, como a tia Augusta e as memórias da mãe, Serena.

Do código à ficção

Nascido em Belo Horizonte, Marcelo Nery tem trajetória que cruza tecnologia e criação artística. Formado em Ciência da Computação, foi professor universitário por 16 anos e coordenou o curso de Jogos Digitais da PUC Minas.

Hoje atua como coordenador de game design na ARVORE Immersive Experiences, desenvolvendo projetos para empresas como Meta e Universal Studios. A escrita, no entanto, acompanha o autor desde a infância, quando começou a criar histórias ainda na máquina de escrever.

“Flores Astrais” marca sua estreia no romance, reunindo influências que vão da vivência no interior mineiro à investigação de afetos, memória e identidade.

Serviço


Sair da versão mobile