Uma mãe vê o filho ruir em drogas e violência até a morte aos 39 anos, expondo amor impotente e um segredo final chocante em relato cru de Irene Vucovix.
Perto do Dia das Mães, “O Filho Perdido” chega como um soco no estômago. A jornalista paulistana Irene Vucovix transforma dor em páginas que não soltam o leitor. São 240 páginas de memórias reais, publicadas pela Geração Editorial, que misturam fluidez com peso bruto.
Da infância afetuosa à espiral destrutiva
O filho cresceu rodeado de avós, tios e primos, em um lar cheio de carinho. Mas na pré-adolescência, aos 13 anos, as drogas entraram e tudo desabou. Diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial, ele virou violento, sem empatia ou afetividade, egoísta e desrespeitoso.
Irene narra prisões, furtos, estelionato e agressões que viraram rotina. “Já não havia como esconder que algo estava profundamente errado”, escreve ela. Internações e terapias falharam. Ela chegou a dormir com porta trancada e cadeira na maçaneta para se proteger.
Meu filho era um jovem de personalidade violenta, sem empatia, sem afetividade, desrespeitoso e egoísta. Enfrentei grandes problemas a partir da pré-adolescência, quando ele tinha cerca de 13 anos e a droga apareceu. Já não havia como esconder que algo estava profundamente errado. Apesar das várias internações e tratamentos, nada se resolveu.
A narrativa em primeira pessoa soa como um diálogo impossível com o filho morto. Um segredo aterrador permeia tudo e explode só no fim, deixando o leitor sem fôlego.
Escrita nascida da dor e da surpresa
Tudo começou em 2019, dois anos após a morte dele, com um conto de Franz Kafka que abriu as comportas. O texto breve virou um processo sofrido: avançava, parava, recomeçava. “Quase como se desnudar em praça pública”, descreve Irene. Concluído em 2024, ficou guardado um ano antes do lançamento, em novembro de 2025.
Sem romantismo, o livro quebra o mito da maternidade perfeita. Irene amou até o limite, mas tomou decisões duras para sobreviver. “Tinha esperança de que ele pudesse levar uma vida digna e feliz. Não consegui. Meu filho escreveu o final da nossa história. Eu o vi, enfim. Morto. No caixão.”
Dependência química, violência e culpa ganham voz rara. Muitas famílias vivem isso em silêncio, e o livro as alcança. Desde o lançamento, mensagens de mães solidárias chegam aos montes. “Formamos um pequeno exército de corações despedaçados, que nunca deixaram de amar seus filhos”, diz ela. “Nunca fui tão abraçada.”
Reações que comprovam o impacto
O posfácio de Rodrigo Petronio, escritor com mais de 20 livros, chama a obra de “dinamite pura”. A brutalidade dos fatos “não encontra paralelo em quase nenhum autor ou obra”. Leitores devoram em horas, largando compromissos.
Falou que você era de um egocentrismo extremo, não demonstrava arrependimento, empatia ou afetividade, e tinha evidentes traços de psicopatia. A cada frase dela eu me sentia como aquelas mulheres de circo que atuam como alvo para o arremesso de facas: o público suspende a respiração a cada novo lançamento, mas a mulher sai sempre incólume. Eu, não. As facas me atravessavam, uma após outra, e, sentada diante da terapeuta, eu me sentia morrer um pouco ouvindo aquele diagnóstico que não deixava margem para a esperança.
- Edna Uip, advogada e escritora (autora de “Espelhos Quebrados”): “Uma tarde, a de hoje. Foi o tempo que levou ler seu livro. Tinha compromissos, coisas a fazer. Larguei tudo. De uma coragem que nunca vi, não tenho como expressar o estado em que estou. Fascinada, dolorida, chocada, agradecida…”
- Paulo Andreoli, jornalista e CEO da AND.ALL: “Acabo de ler seu livro. Devorei-o como o fiz com outros bons livros que li. É triste, cruel, dolorido, tudo isso envolto no sofrimento da mãe e da família. (…) Você nunca o abandonou, Irene. Você apenas se protegeu do que ele se tornou.”
- Laerte Temple, administrador, professor e escritor (autor de “Humor na quarentena”): “Não me lembro quando foi a última vez que li um livro em três dias em meio a tantas coisas a fazer. Não dava vontade de parar. Como obra literária é realmente eletrizante. De arrepiar.”
Irene, formada em jornalismo pela USP nos anos 70, tem carreira sólida: repórter da Editora Abril, O Estado de S. Paulo na década de 80, e agência de comunicação com Célia Romano. Contos recentes, como “Retalhos” (Prêmio Arte e Literatura USP60+) e “Senhora dos Solitários” (antologia Sinete), mostram seu talento. Este é seu primeiro livro.
Serviço
- Título: O Filho Perdido
- Autora: Irene Vucovix (@ivucovix)
- Gênero: Não ficção / Memórias
- Editora: Geração Editorial
- Preço de capa: a partir de R$ 53,49
- Disponível em livrarias físicas e plataformas digitais: Livraria da Vila, Livraria da Travessa, Amazon, Estante Virtual e Martins Fontes, além de versão e-book Kindle.
- Sinopse – A tragédia da relação de uma mãe com seu único filho diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial na adolescência até a morte prematura, é retratada em ‘O Filho Perdido’, junto ao drama e à dor. O leitor acompanha página por página o desespero da mãe que tenta a todo custo salvar aquele que ama, enquanto guarda um segredo que será revelado no final.

Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊