A fadista portuguesa Carminho apresenta no palco carioca o repertório autoral de seu sétimo álbum de estúdio, unindo a herança clássica de Lisboa a texturas experimentais e elos com a música brasileira.
O fado deixa de ser um gênero circunscrito ao passado e se estabelece como matéria em constante transformação no espetáculo da cantora e compositora portuguesa Carminho. A artista desembarca no Rio de Janeiro com a turnê mundial do disco “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”, lançado pela Sony Music, para apresentação única agendada para 21 de agosto no Vivo Rio.
Composto majoritariamente por canções próprias, o trabalho coloca a tradição fadista em diálogo direto com recursos contemporâneos de produção. A artista assume a autoria de oito das 11 faixas do álbum e aprofunda pesquisas poéticas e sonoras.
Esse poema traz a ambiguidade que eu procurava e a vertigem que me encantou nesta ideia de que se morre muito de amor no fado, mas há sempre a hipótese de resistir.
Poesia clássica, novas vozes e sonoridades raras
O conceito central do projeto surgiu a partir de um poema de Antônio Campos Monteiro, preservado em manuscritos herdados da fadista Beatriz da Conceição. A dualidade entre o lirismo trágico e a sobrevivência orienta as composições e as parcerias presentes no repertório.
Na faixa “Saber”, os versos da escritora Ana Hatherly ganham a participação da artista norte-americana Laurie Anderson em declamações sussurradas. Hatherly também inspira “Balada do país que dói”, na qual a guitarra portuguesa se funde a mellotron e ao uso de Vocoder operado pela própria cantora no palco. Versos de Amália Rodrigues em “Sofrendo da alma” e de Pedro Homem de Mello em “Canção à ausente” completam as pontes literárias.
Para a montagem desta temporada, o palco ganha concepção de luz e cenografia inéditas, somando timbres pouco usuais como o Cristal Baschet e as Ondes Martenot aos arranjos acústicos originais.
Voz feminina como resistência e pontes com o Brasil
O repertório presta homenagem explícita às mulheres que abriram caminhos no gênero e na vanguarda musical, reverenciando figuras como Teresa Siqueira, Amália Rodrigues, Wendy Carlos e Annette Peacock. Para a intérprete, a ocupação do palco e o exercício da autoria constituem uma afirmação contínua da presença feminina na arte.
A relação de Carminho com o público brasileiro se reflete também na seleção musical, que inclui passagens dedicadas ao cancioneiro nacional, como a interpretação de “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, além de referências às colaborações com Caetano Veloso, Milton Nascimento, Maria Bethânia e Marisa Monte.
Serviço
- Evento: Carminho / Turnê “Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir”
- Data: 21 de agosto
- Local: Vivo Rio
- Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Glória – Rio de Janeiro – RJ
- Horário: 21h (abertura da casa às 19h)
- Duração: 90 minutos
- Capacidade: até 4 mil pessoas
- Ingressos: de R$ 80,00 a R$ 320,00
- Vendas: Plataforma Ticket 360
- Classificação indicativa: 18 anos

