Uma madrugada de música eletrônica periférica vai marcar os 10 anos do Favela Sounds no CCBB Brasília, com artistas do Brasil, da África e da diáspora africana na Europa.
Depois de reunir 25 mil pessoas entre julho e agosto na Praça do Museu Nacional da República, durante a edição de 10 anos, o Favela Sounds ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) com o projeto Resenha Favela Sounds. O evento acontece em 19 de setembro, sábado, das 22h às 5h, com entrada franca.
A retirada de ingressos será aberta somente no dia anterior, 18 de setembro, a partir do meio-dia, pelo site do CCBB Brasília e na bilheteria. Em formato pocket para 3 mil pessoas, a programação aproxima o público dos DJs e aposta em uma experiência mais intimista do que a do festival habitual.
A Resenha sintetiza a pesquisa do Favela Sounds sobre as pontes ancestrais entre o Brasil e o continente africano nas pistas de dança.

Uma pista entre Brasil, África e diásporas
A primeira Resenha reúne representantes do afrohouse, techno, pop-punk experimental, tribal house, vogue/ballroom, amapiano, kuduro e funk em vertentes como bolha e submundo. A curadoria busca aproximar países geograficamente distantes, mas conectados por culturas musicais e trajetórias históricas compartilhadas.
A programação é encabeçada pela DJ paranaense Clementaum, também conhecida como La Mayor. Seu trabalho combina funk, techno, tribal e ritmos eletrônicos latinos. A artista passou por eventos como Primavera Sound Barcelona, Unsound Festival e Sónar Lisboa, além de participar da música “SEQUÊNCIA CUNT”, com Pedro Sampaio, Irmãs de Pau, Mc GW e Tasha Kaiala.
Do Grajaú, em São Paulo, Katy da Voz e As Abusadas misturam funk, punk, pop e música eletrônica. O trio surgiu em 2019 e ganhou projeção com “GORDINHA MAS TÁ BOM”. Na Resenha, deve apresentar “FRANKFURT”, faixa que satiriza uma experiência traumática durante uma tentativa frustrada de turnê pela Europa, em julho deste ano.
Do funk bruxaria ao “tribal electronics”
Também de São Paulo, DJ K, O Bruxo, natural de Diadema, representa o funk bruxaria, vertente do mandelão criada por ele e marcada por distorções, graves intensos e pelo “tuin”. O artista começou a carreira em 2019, aos 17 anos, no Baile do Helipa, em Heliópolis, e já se apresentou no Dekmantel, em Amsterdã, e no Boiler Room Los Angeles.
De Lisboa, com origens santomenses, Deejay Rifox chega ao Brasil pela primeira vez. DJ e produtor em atividade desde 2015, ele mistura afrohouse, kuduro e batida. Entre seus trabalhos estão “Rebola Ti Txon”, parceria com Tia Vivix, o EP “Capital do Txilo”, além de “Tás a Tocar Bwe”, “Maz Sabi” e “Pam Pam Pam”.
Representando Uganda, Faizal Mostrixx retorna ao Favela Sounds depois de participar da edição de 10 anos. Radicado no Rio de Janeiro, o DJ, produtor, dançarino e coreógrafo combina polirritmias do Leste Africano, afro-house, amapiano, footwork e eletrônica futurista em uma sonoridade que define como “tribal electronics”.
A programação também passa pelo DF
Moesha 13, de origem malinesa e radicada em Marselha, amplia o mapa sonoro com o “gadjicore”, linguagem que aproxima rap francês, hardcore techno, gabber, baile funk, kuduro, reggaeton, dembow e afrobeats. A artista já passou pelo Nyege Nyege, em Uganda, pelo clube Berghain, em Berlim, e é DJ residente da rádio britânica NTS.
O Distrito Federal estará representado por UMiranda, responsável pelo warm-up em um set dedicado a amapiano, kuduro, afrobeats e afrohouse. À frente do Africanize Sessions, o DJ já passou por eventos como Afropunk Brasil, Ensaios da Anitta e Festival Na Praia.
Do Recanto das Emas, SASKIAVIBES completa o line-up com uma pesquisa centrada no funk, do mandelão à bruxaria, atravessada por club music, jersey club, drum and bass e vogue. Integrante dos coletivos Incubs Nation e Fluxo, ela assina trabalhos autorais como “Céu Vermelho” e “Mandelão Experimental”.
Evento ocupa o CCBB pela madrugada
A Resenha Favela Sounds inaugura uma nova faixa de horário no CCBB Brasília. Pela primeira vez, uma programação musical do centro cultural será apresentada das 22h às 5h, estendendo a ocupação do espaço para além do horário habitual de fechamento, às 21h.
O projeto é apresentado e patrocinado pelo Banco do Brasil e idealizado e produzido pela Um Nome – Agência Criativa. A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, do Governo Federal e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do DF.
Transporte gratuito e formação profissional
O evento oferece cinco rotas gratuitas de ônibus de Regiões Administrativas mais distantes da região central até o Centro Cultural. O acesso depende de inscrição prévia pelas redes sociais do Favela Sounds. Também haverá uma linha gratuita ligando o CCBB Brasília à Rodoviária do Plano Piloto durante toda a noite.
Como ação complementar, a produtora Kju Nova ministra uma oficina de montagem de estruturas de eventos na GEAMA do Paranoá. O público é formado por jovens egressos do sistema socioeducativo do Distrito Federal, que terão contato com os bastidores e poderão aplicar os conteúdos das aulas teóricas.
Dez anos de Favela Sounds
As comemorações da década começaram em julho. Entre os dias 29 de julho e 1º de agosto, o festival realizou atividades em Brasília, incluindo o Favela Talks e o Baile, no Museu Nacional da República.
A edição reuniu 25 mil pessoas presencialmente e contou com 31 apresentações artísticas, debates, showcases, rodadas de negócios, gravações do podcast Favela Talks, lançado em agosto, e encontros entre artistas e representantes do mercado criativo.
Serviço
- Evento: Resenha Favela Sounds
- Local: Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
- Endereço: SCES Trecho 02 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Especial Sul
- Horários: 22h às 5h
- Ingressos: Liberados em 18 de setembro, a partir do meio-dia, pelo site e pela bilheteria física do Centro Cultural
- Classificação indicativa: Livre
- Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h
- CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30
A ação “Vem pro CCBB” oferece uma van gratuita entre a Biblioteca Nacional e o CCBB Brasília. O acesso ocorre mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou pelo QR Code disponível na própria van. O ingresso garante lugar, sujeito à lotação, mas a ausência dele não impede a utilização do transporte.
Foto/Drone: Matheus Lucas
