O lançamento do álbum “Beleza”, de Muca em parceria com Roberto Menescal, ganha forma no palco em um encontro que carrega peso histórico e frescor criativo. No dia 11 de junho, o Beco das Garrafas recebe o show que materializa essa conexão entre gerações, com participação especial de Menescal e da cantora Mirella Costa.
Mais do que um simples lançamento, a apresentação traduz ao vivo a proposta central do disco: um diálogo entre tradição e contemporaneidade, costurado por influências que atravessam décadas da música brasileira e experiências internacionais acumuladas por Muca ao longo de 16 anos no Reino Unido.
Um retorno às origens com olhar global
“Beleza” nasce de um movimento íntimo de reconexão. Muca concebeu o álbum como uma revisita às próprias raízes brasileiras, sem abrir mão da linguagem contemporânea que desenvolveu fora do país. Como produtor, guitarrista e compositor, ele constrói uma sonoridade que aproxima o legado da bossa nova de elementos modernos, incluindo referências ao LoFi e à produção eletrônica.
Essa fusão ganha força na parceria com Roberto Menescal, figura central da história da bossa nova. O encontro entre os dois artistas representa não apenas uma colaboração musical, mas uma ponte simbólica que conecta mais de seis décadas de criação brasileira.
“Eu tenho saudades do novo, e acredito que conseguimos exatamente isso com este álbum.”
A frase de Menescal sintetiza o espírito do projeto: olhar para frente sem romper com o passado. A atitude de seguir criando, aprendendo e experimentando sustenta o conceito do disco e também se reflete na apresentação ao vivo.
Doze vozes, múltiplas identidades
Um dos elementos mais marcantes de “Beleza” é a presença de 12 cantoras, divididas igualmente entre interpretações em português e inglês. A escolha não é estética apenas — ela estrutura o próprio conceito do álbum como um “coro global”.
Entre os nomes estão Liana Flores, anaiis, Josyara, Fabiana Cozza, Sofia Grant, SARAH, Mirella Costa, Ilessi, Alice SK, Heidi Vogel, Joia Luz e Amanda Maria. Cada artista contribui com uma identidade própria, ampliando a paleta emocional do disco.
Essa diversidade se traduz em faixas que transitam entre diferentes atmosferas: da delicadeza introspectiva com influências folk até ritmos solares inspirados pela bossa nova e pela música brasileira. O resultado é um trabalho que não segue uma narrativa linear, mas sim uma estrutura radial, em que cada voz representa uma faceta distinta de beleza.
Entre cidades, estúdios e referências
Gravado entre Londres, Rio de Janeiro e São Paulo, o álbum incorpora a própria geografia como elemento criativo. A circulação entre diferentes cidades e ambientes de produção confere ao disco uma identidade internacional orgânica, sem perder o eixo brasileiro.
O processo envolveu uma rede extensa de colaboradores. Muca iniciou a construção das bases ao lado de Bruno Buarque e Pancho Trackman, explorando ritmos e samples. Em seguida, desenvolveu composições com Menescal e convidou nomes como César Lacerda, L.A. Salami, Alice SK e Joshua O’Connor para a criação das letras.
As referências transitam por nomes como Jorge Ben Jor e Tim Maia, enquanto a produção incorpora técnicas contemporâneas, reforçando a proposta de atualização estética da bossa nova.
Faixas que conectam tempos e emoções
O repertório do álbum evidencia essa mistura de influências. “Playing On The Loose Fields”, com anaiis, abre espaço para uma atmosfera etérea, marcada pelo violão de Menescal e arranjos delicados. Já “Versos Singelos”, interpretada por Mirella Costa, dialoga diretamente com clássicos da bossa nova.
Em “Ladeira”, Josyara conduz uma narrativa rítmica inspirada na mitologia da orixá Obá, enquanto Fabiana Cozza imprime a força do samba em “Todo Samba”. Liana Flores, por sua vez, conecta bossa, indie e folk em “Midnight Lullaby”.
Ao longo do disco, temas como memória, identidade, espiritualidade e pertencimento surgem de forma transversal, reforçando a ideia de beleza como experiência plural e coletiva.
Mais que estética, uma afirmação cultural
O título “Beleza” ultrapassa o sentido literal e se desdobra como conceito. A palavra aparece como afirmação, estado de espírito e também como resposta a um mundo descrito no projeto como caótico e polarizado.
O álbum propõe uma ressignificação que dialoga com movimentos contemporâneos de identidade, especialmente em comunidades negras, LGBTQIAP+ e periféricas. Nesse contexto, “beleza” deixa de ser apenas estética e se transforma em afirmação de existência e orgulho.
Ao trazer essas camadas para o centro da bossa nova, o trabalho amplia os limites do gênero e reposiciona suas narrativas, conectando passado e presente de forma contínua.
Serviço
- Lançamento do álbum “Beleza”
- Data: 11/06 (quinta)
- Horário: 21h
- Local: Beco das Garrafas
- Valor: R$70,00

