Neta de Selma do Coco e filha de Aurinha, Negadeza lança “Herança Ancestral” com seu filho de 15 anos, Zuri Ribeiro, no dia 10 de abril de 2026.
O coco pernambucano tem uma nova obra para chamar de sua. No dia 10 de abril de 2026, a cantora, compositora e percussionista Negadeza lança ao lado de seu filho, o multi-instrumentista Zuri Ribeiro, o EP autoral “Herança Ancestral”. Mais do que um disco, o trabalho é um ato de continuidade: uma linhagem de mestras do coco que segue viva, em forma de música.
Três gerações de coco
Negadeza é neta de Selma do Coco e filha de Aurinha do Coco, duas mestras e referências centrais do ritmo em Pernambuco. Nascida em Recife e criada em Olinda, ela dedicou a vida a difundir e manter vivas as tradições das quais é guardiã. Atualmente, vive no Rio de Janeiro e toca na banda de Lenine.
Ao longo da carreira, Negadeza já trabalhou com nomes como Gilberto Gil, Naná Vasconcelos, Dominguinhos, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Cátia de França, Paulo Moura e Amelinha. Sua trajetória a consolida como uma das percussionistas mais atuantes do país.
Eu sinto minhas mestras comigo quando canto, como se a minha voz viesse acompanhada.
As faixas e seus vínculos familiares
Cada canção do EP carrega um laço afetivo. A faixa-título, “Herança Ancestral”, já lançada como single, é dedicada à avó Selma do Coco. “É por causa dela que eu faço o coco. Essa música foi especialmente para minha avó, em gratidão a tudo que nos deixou”, conta Negadeza.
“Mestra Querida” homenageia Aurinha. A canção foi composta pelo amigo Lucas Furtunato no próprio dia em que Aurinha faleceu e presenteada a Negadeza. “No dia em que a minha mãe faleceu, meu amigo Lucas Furtunato fez essa música para ela e me mandou. E eu gravei agora para deixar marcada a sua importância em minha vida”, relembra a artista.
“Serenou” também se volta para Aurinha, evocando casa, memória e fé. Na letra, Negadeza fala de Iemanjá, da ideia de construir uma casa de taipa — diretamente ligada à dança do coco — e cita Oyá/Iansã em iorubá como parte de uma invocação espiritual. Já “O Caminho” é composição do próprio Zuri: “O caminho é muito longe, mas eu vou chegar.” A música nasce como homenagem às três mestras da família — bisavó, avó e mãe. Por fim, “Vida que Segue” olha para o que permanece depois das viradas da vida.
Zuri Ribeiro, prodígio aos 15 anos
Com apenas 15 anos, Zuri Ribeiro assina a produção musical de todo o EP e toca vários instrumentos no projeto. Afilhado de Hermeto Pascoal, ele nasceu imerso na tradição do coco e cresceu convivendo com grandes mestres. Sua habilidade como multi-instrumentista e produtor impressiona pela maturidade artística.
A parceria entre mãe e filho conduz uma arquitetura sonora em que a percussão ocupa o centro e a voz se torna lugar de narrativa. O resultado é um EP que une memória e invenção sem abrir mão das raízes.
Financiamento coletivo e comunidade
O EP “Herança Ancestral” foi viabilizado por um financiamento coletivo com o apoio de 165 pessoas. Mais do que uma estratégia de produção, o crowdfunding reafirma o caráter comunitário do coco: uma tradição que sempre se manteve viva pelo coletivo.
O pré-save e o link de escuta já estão disponíveis em: https://tratore.ffm.to/negadezaezuri
Serviço
- EP: Herança Ancestral
- Artistas: Negadeza e Zuri Ribeiro
- Data de lançamento: 10 de abril de 2026
- Pré-save/Escuta: https://tratore.ffm.to/negadezaezuri
- Produção musical: Zuri Ribeiro
- Foto: Marcella Saraceni



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