Entre saudade, política e desejo, “Politonia” marca virada estética de Giuliano Eriston e amplia os limites da nova MPB
Giuliano Eriston não quis repetir o caminho. Em “Politonia”, seu novo álbum, o artista abandona a simplicidade mais contida do disco de estreia e mergulha em um território mais amplo, onde contrastes convivem sem pedir licença. O resultado é um trabalho que nasce da mudança — geográfica e emocional — e transforma essa transição em linguagem musical.
Disponível nas plataformas digitais, o álbum foi gestado após sua mudança do Ceará para o Rio de Janeiro. Esse deslocamento atravessa cada faixa, seja na saudade evidente, nas novas paixões ou no olhar mais crítico que surge com o amadurecimento. Não por acaso, Giuliano define o projeto como uma contraposição direta ao seu primeiro disco, “Universo em Si”.
“É uma espécie de contraposição ao meu primeiro álbum (‘Universo em si’) o qual tem uma paleta de cores bem restrita porque a instrumentação foi bem mais simples”, afirma o artista, evidenciando a expansão estética que guia o novo trabalho.
Essa expansão se traduz na mistura de referências. Entre maracatu, jazz, xote e R&B, Giuliano alterna idiomas — português, inglês e francês — para dar forma a temas que vão da paquera ao cenário político. É justamente essa multiplicidade que sustenta o conceito de “Politonia”, termo criado por ele para romper com a monotonia criativa e abraçar a diversidade como princípio.
Um álbum que se move por camadas
O disco abre com “Lucidez”, uma faixa introspectiva que mergulha em conflitos internos, mas aponta para alguma esperança. Logo depois, “Gosto do Gesto” e “Festa no Infinito” mudam o clima, trazendo leveza e um certo brilho solar, quase como um respiro emocional.
Essa oscilação entre estados de espírito não é acidental. Ela organiza a escuta e revela um artista interessado em explorar nuances. O momento central chega com “Corpo de Candiá”, faixa de trabalho que assume um caráter ritualístico e noturno.
A canção, influenciada por Moreno Veloso, nasceu como um rascunho e levou cerca de um ano e meio para alcançar sua forma final. O processo lento aparece na riqueza sonora e na construção atmosférica, que mistura referências indígenas e africanas com delicadeza. A participação de Moreno na gravação reforça essa ponte estética.
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Na sequência, “Borogodó” quebra a densidade com ironia. A faixa, única parceria do álbum, composta com Pedro Baby e Gustavo Pereira, transforma uma paquera frustrada em narrativa bem-humorada, sustentada por uma autoestima quase inabalável.
Já “Não Pro Sim” e “Vem Me Relembrar” mergulham novamente em zonas mais complexas, abordando desilusões e a fragilidade das relações afetivas. É nesse ponto que o álbum evidencia sua capacidade de transitar entre extremos sem perder coesão.
Entre o íntimo e o coletivo
Na reta final, o tom muda mais uma vez. “Teia” e “Waiting” ampliam o olhar para além do indivíduo e encaram questões sociais e políticas que atravessam a geração do artista. O discurso ganha densidade, mas sem abandonar a musicalidade.
Essa alternância constante entre o pessoal e o coletivo é o que sustenta o conceito do álbum. Em vez de escolher um único eixo, Giuliano prefere costurar experiências distintas, criando uma narrativa que se move — e que convida o ouvinte a se mover junto.
Ao longo do disco, ele assume múltiplas funções: canta, compõe, arranja e toca diversos instrumentos. A produção musical, assinada em parceria com Pedro Baby, refina essa proposta ao explorar minúcias sonoras que dão identidade a cada faixa.
A música, a poesia e as intepretações de Giuliano Eriston, reconectam novas gerações a essência da mpb
A leitura de Pedro Baby ajuda a posicionar “Politonia” dentro de um movimento maior da música brasileira contemporânea, que revisita tradições sem abrir mão de novas linguagens.
Trajetória em ascensão
Nascido em um ambiente artístico, Giuliano Eriston teve seu talento revelado cedo. Aos 13 anos, já se apresentava no Festival Choro Jazz, em Jericoacoara, marcando sua entrada na cena nacional. Anos depois, em 2021, venceu a 10ª edição do The Voice Brasil, ampliando sua projeção.
Desde então, constrói uma trajetória consistente. Em 2022, lançou “Universo em Si”, com produção de Kassin e participações de nomes como Mariana Aydar e Pretinho da Serrinha. Em 2024, homenageou Sérgio Sampaio em um EP produzido por Pedro Baby — parceria que agora se aprofunda em “Politonia”.
Se antes o foco estava na essência, agora o movimento é de expansão. “Politonia” não apenas amplia o repertório sonoro de Giuliano, como também aponta para um artista interessado em desafiar padrões e evitar qualquer forma de repetição.
Serviço
- Álbum: Politonia
- Artista: Giuliano Eriston
- Disponível em: plataformas digitais
- Produção musical: Giuliano Eriston e Pedro Baby
- Participação especial: Moreno Veloso
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