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Ricardo Ulpiano celebra 28 anos de trajetória com show autoral Mezcla

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Quase três décadas de experimentações musicais, tradições populares e conexões latino-americanas convergem na nova fase de estrada de Ricardo Ulpiano.

Composições concebidas entre 2002 e 2026 ganham leitura cênica articulada para costurar temas como território, memória e deslocamento. A produção marca a retomada das apresentações autorais do artista após anos dedicados à direção, produção e criação para projetos paralelos.

As músicas que compus em diferentes momentos carregavam relações entre território, ancestralidade, América Latina, afetos e deslocamentos. ‘Mezcla’ nasce justamente da vontade de transformar tudo isso em uma linguagem única.

Ricardo Ulpiano celebra 28 anos de trajetória com show autoral Mezcla
Foto: Fernanda Abdo / Violeta Penna / Divulgação

O encontro entre matrizes sonoras e literatura

O repertório reúne canções inéditas e arranjos reestruturados que dialogam com a formação de Ricardo Ulpiano. A vivência na infância com as guardas de congado e as folias de reis funde-se à bagagem obtida no rock e a intercâmbios com instrumentistas de Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile.

O roteiro apresenta faixas como “Ipê”, delineada pelas paisagens de Minas Gerais; “Gabiroba”, inspirada no núcleo feminino de sua família; e “Me Calo”, escrita após passagens pela América do Sul sob o impacto do cenário político da região. Outras criações autorais incluem “Janelas”, “Niña del Tiempo” e “Poeira”, finalizada durante estadia em território colombiano.

A literatura também orienta o alinhamento das faixas. A canção “Ponciá Vicêncio”, desenvolvida em parceria com Rita Silva a partir do romance da escritora Conceição Evaristo, conta com a participação de Ravi Cappuccio, filho do músico. A presença em cena reforça o eixo de continuidade e memória geracional abordado na obra.

Ricardo Ulpiano celebra 28 anos de trajetória com show autoral Mezcla
Foto: Fernanda Abdo / Violeta Penna / Divulgação

Concepção cênica e circulação

Para construir a narrativa dramática do espetáculo, os arranjos alternam pulsações rítmicas e dinamismo intimista. A direção musical é assinada por Thiago Peixoto, com concepção de palco orientada pela diretora de cena Violeta Penna. A instrumentação é executada pelo trio Daniel Tamietti no violoncelo, Anna Lages na percussão e Igor Canto ao violão.

O retorno aos palcos encabeçado no Teatro Marília, no dia 3 de outubro de 2026, projeta o início de uma temporada planejada para transitar por diferentes teatros e festivais. A montagem integra a programação cultural de Belo Horizonte viabilizada por meio de ocupação pública municipal.

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