A imersão visual tomou conta da Cidade do Rock com a estreia de uma megaestrutura de LED que redefiniu a forma como o público consome música ao vivo, culminando em uma apresentação visceral que quebrou um jejum de sete anos sem a banda de Dave Grohl no festival.
A abertura do Rock in Rio 2026 transformou a expectativa em uma experiência sensorial imediata. Os primeiros fãs que cruzaram os portões da Cidade do Rock foram recebidos sob aplausos pela equipe da Rock World, consolidando a tradição de acolhimento do festival.

O impacto visual, no entanto, roubou a cena logo nos primeiros minutos. O novo Palco Mundo substituiu a cenografia tradicional por 2.400 m² de painéis de LED de altíssima definição, envolvendo as apresentações em um ambiente digital contínuo.
Cada vez que os portões da Cidade do Rock se abrem, é como se a gente pudesse sentir, de novo, a força desse sonho que começou há tantos anos. Ver essa multidão chegando, encontrando os amigos, cantando, se emocionando e vivendo a Cidade do Rock é uma emoção que não muda.
A maratona sonora no palco principal começou com o espetáculo The Flight, seguido pela energia punk e alternativa da Nova Twins, que dominou a plateia com faixas como “Cleopatra”.

A banda sueca The Hives manteve o ritmo acelerado com muita interação e um português afiado de seu vocalista, abrindo caminho para as tradicionais rodas punks comandadas pelo Rise Against ao som de “Savior” e “Prayer of the Refugee”.


O ápice da estrutura tecnológica foi testado durante o encerramento da noite. O Foo Fighters assumiu o controle diante de uma multidão saudosa e entregou um repertório que atravessou gerações.


Clássicos como “The Pretender”, “Times Like These” e “My Hero” ganharam novas proporções com a grandiosidade visual do palco, encerrando a apresentação com a catártica “Everlong”.

O rock nacional dita o ritmo dos encontros

Longe da estrutura principal, o Palco Sunset dedicou seu primeiro dia ao cruzamento de diferentes gerações. Di Ferrero abriu os trabalhos resgatando sucessos de sua trajetória no NX Zero, como “Cedo ou tarde” e “Razões e Emoções”, dividindo os vocais com Danilo Cutrim em homenagens ao Nirvana e aos Paralamas do Sucesso.

A sintonia roqueira continuou com um encontro de peso entre Detonautas e Biquini, que colocaram os veteranos e novatos para pular com hinos como “Zé Ninguém” e “Quando o sol se for”.

A nova guarda do rock britânico marcou presença com o pop punk enérgico do Hot Milk, preparando o terreno para o encerramento catártico do Capital Inicial.

A banda de Dinho Ouro Preto convidou Dado Villa-Lobos para revisitar clássicos como “Veraneio Vascaína” e “Natasha”, transformando o espaço em um imenso coral ao som de “Tempo perdido”, celebrando o legado de Renato Russo.
Luz, natureza e tecnologia convergem fora dos palcos

Uma das inovações mais impactantes de 2026 aconteceu longe dos microfones. O ECCO by LightWire estreou como uma arena própria dedicada a uma jornada imersiva de 360 graus.

O espetáculo combinou dança, projeções mapeadas, aromas e som surround para narrar a relação entre as vibrações primordiais da natureza — vento, água, fogo e raízes — e a criação artística humana.

A estrutura impressionou com figurinos tecnológicos como o PixelWear, repleto de LEDs controlados individualmente, e o NewDress, trançado em fibra óptica.
A reinvenção das batidas e a força da nova cena
A música eletrônica também ganhou proporções monumentais. O New Dance Order revelou sua nova identidade visual com uma estrutura de 56,50 metros de largura e mais de 500 m² de telas, criando uma simbiose entre som, luz e movimento. A abertura foi marcada pelo manifesto audiovisual “Dancing for a Better World”, que incluiu balé, pirotecnia e um minuto de reflexão erguendo uma bandeira gigante sobre o público, antes de entregar as picapes para nomes como Cat Dealers e o veterano Steve Angello.
Pelos palcos alternativos, a diversidade musical ditou o ritmo. No Espaço Favela, Hitmaker e Rodrigo do CN transformaram o local em um imenso baile funk, enquanto o Supernova abriu espaço para o talento de nomes como Chady, Diogo Defante e um emocionante tributo a Gilberto Gil comandado por Larissa Luz. Já a Global Village celebrou as guitarras alternativas com Giovanna Moraes e a banda Leela, culminando em uma noite lotada e nostálgica sob o comando de Paulinho Moska, que cantou hits como “A seta e o alvo” e reverenciou ícones como Rita Lee.
Serviço
- Local: Cidade do Rock, Rio de Janeiro
- Evento: Primeiro dia do Rock in Rio 2026 (4 de setembro)
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