Com produção de Dante Ozzetti, o novo álbum de Tarita de Souza nasceu de três viagens à Amazônia e propõe uma escuta sensível sobre água, memória e cultura brasileira.
Canto para os Rios, o sétimo álbum da cantora, compositora e doutora em música pela USP Tarita de Souza, acaba de chegar às plataformas digitais. O disco reúne dez canções construídas ao longo de três anos de pesquisa, imersões nos rios e contato direto com as manifestações culturais da região Norte do Brasil.
Da nascente à foz
A travessia sonora parte do Rio Pinheiros, em São Paulo, e avança até a foz do Rio Amazonas, em Macapá. A escolha da Amazônia como eixo central do projeto nasce de uma percepção crítica: no Sudeste, existe um distanciamento histórico em relação às culturas amazônicas, onde o cotidiano urbano ainda mantém uma relação profunda com os rios — seja pelo transporte fluvial, seja pela presença constante da fauna e da flora.
A produção musical é assinada em parceria com o músico e arranjador Dante Ozzetti, um dos nomes mais respeitados da música de câmara e da canção brasileira de autor. O álbum conta ainda com a participação de Patrícia Bastos, Nayara Guedes, Erika Ribeiro, Luca Raele, Neymar Dias, Maiara Moraes, Thais Nicodemo, Kabé Pinheiro, Rodrigo Bragança e o Quarteto Calêndula.
Um repertório como travessia
O disco abre com “Caminhos da Voz”, uma vinheta de apresentação. Em seguida, “Q’entesito” — canção tradicional peruana com adaptações de Carlos Franco — surge como um agradecimento às águas, inspirado na imagem de um pássaro que percorre lugares deixando um pouco do seu coração em cada canto. As faixas “Iara” e “O Canto do Abaporu” evocam entidades mitológicas e espirituais, abrindo um território de encantamento.
“A Terceira Margem” dialoga com o conto clássico de Guimarães Rosa, marcando a passagem do espaço onírico para a margem física e real. “Jaci”, em letra do poeta Joãozinho Gomes, trata a lua como mãe e origem — um colo refletido nas águas do rio Guamá. Já “Canoa Voadeira”, composição de Ronaldo Silva e Allan Carvalho, dois dos principais músicos da cena paraense contemporânea, canta a vida em constante movimento e transformação.
“Rio Pinheiros” enfrenta a realidade urbana com dureza poética: aborda a morte de um rio, um fim que não é definitivo, mas que exige transformação interior. O percurso se encerra em “Guajará”, uma coda de saudade — a soma de tudo o que foi vivido e o que permanece depois do fim.
A voz como protagonista
Musicalmente, o álbum coloca a voz — ou melhor, múltiplas vozes — no centro da experiência sonora. Em diferentes momentos, elas aparecem como canto solo, vocais coletivos ou formações corais, explorando também a voz como textura e elemento de criação harmônica. Essa pluralidade vocal reflete a própria natureza dos rios: muitas correntes que se encontram e formam algo maior.
Além do áudio: o filme
A experiência do disco se expande para além das plataformas de streaming. O lançamento é acompanhado por um filme dirigido pelo cineasta Luan Cardoso, com imagens registradas nos estados do Pará e do Amapá durante mergulhos realizados junto às cantoras Patrícia Bastos e Oneide Bastos. A narrativa não linear do filme amplia os sentidos presentes nas canções e está prevista para o final de abril de 2026.
Quem é Tarita de Souza
Cantora, compositora, regente, educadora musical e artista visual, Tarita de Souza é doutora em música pela Universidade de São Paulo (2024). Com Canto para os Rios, ela soma seis álbuns à carreira, iniciada em 2014 com A Árvore e o Vento. Professora na Faculdade Rudolf Steiner e na Faculdade Santa Marcelina, também atua como preparadora vocal e diretora musical no teatro e no cinema, com trabalhos ao lado de nomes como António Nóbrega, Chico César e Zeca Baleiro.
Serviço
- Álbum: Canto para os Rios — Tarita de Souza
- Disponível em: plataformas digitais (Spotify, Deezer, Tidal, YouTube Music, Amazon Music)
- Produção musical: Dante Ozzetti e Tarita de Souza
- Mixagem: André Magalhães
- Masterização: Carlos Freitas
- Filme: direção de Luan Cardoso — lançamento previsto para o final de abril de 2026



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