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Violino ganha sotaques populares no álbum autoral de Paloma Pitaya

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A violinista e compositora Paloma Pitaya une a formação erudita à pulsação tradicional ao recriar 13 ritmos nacionais para o violino em seu álbum de estreia autoral, Caprichoso Brasil.

A investigação sonora conduzida por Paloma Pitaya parte do formato clássico do capricho, historicamente associado à exibição técnica e ao virtuosismo, para desenhar uma cartografia sensível dos ritmos do país. O trabalho chega às plataformas digitais no dia 25 de setembro, desdobrando uma pesquisa desenvolvida inicialmente para violino solo durante o período em que a artista esteve na Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores, na Espanha.

O violino deixa de ocupar apenas o território associado à música de concerto e assume sotaques, ritmos e gestos de diferentes regiões da América Latina e do Brasil.

O ponto de partida do registro sonoro foi o livro de partituras homônimo lançado em 2026 pela Editora Ilustre, que registrou mais de 100 exemplares comercializados logo no primeiro mês de circulação entre instrumentistas brasileiros. Na gravação do disco, no entanto, a instrumentista expandiu as fronteiras acústicas: além do violino e da rabeca, as faixas incorporam percussões brasileiras, violões, sanfona, baixo elétrico e a densidade de um quarteto de cordas.

Violino ganha sotaques populares no álbum autoral de Paloma Pitaya
Foto: Divulgação

Encontros de cordas e improviso

Para construir a tessitura que entrelaça concerto e terreiro, o álbum conta com a participação de instrumentistas consagrados da cena instrumental. O violonista Alessandro Penezzi soma o peso do violão de sete cordas aos arranjos, enquanto o bandolinista Danilo Brito traz sua sonoridade característica em diálogos marcados pela improvisação e pela agilidade técnica.

As 13 faixas autorais percorrem matrizes rítmicas plurais como forró, bossa nova, baião, milonga, choro, maxixe, maracatu, frevo, cavalo-marinho, chacarera, xote e samba. Em vez de simplesmente mimetizar os gêneros conhecidos, o repertório desafia o instrumento erudito a assimilar cadências sincopadas, fricções e articulações típicas do cancioneiro tradicional.

Trajetória entre palcos internacionais e orquestras

A bagagem que sustenta o projeto reflete uma carreira consolidada em palcos nacionais e estrangeiros. Graduada em Violino pela Universidade Federal de Santa Maria, Paloma Pitaya passou pela Academia de Música da Osesp, período em que excursionou pelos Estados Unidos e se apresentou no emblemático Carnegie Hall. Sua formação inclui ainda especialização pela Academia Internacional Galamian e o Artist Diploma pelo Gabriela Ortiz Composing Studio da OAcademy.

Reconhecida pelo Prêmio Profissionais da Música como Melhor Autora Instrumental e Melhor Instrumentista Erudito Feminino, a artista acumula passagens por orquestras na Alemanha e Suécia e atualmente atua como spalla da Orquestra Sinfônica de Mato Grosso, consolidando uma produção contínua voltada à valorização da linguagem musical latino-americana.

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