Em “Capricho Maxixe”, a violinista, compositora e pesquisadora Paloma Pitaya transforma o maxixe em peça instrumental contemporânea, levando a energia dançante do ritmo urbano brasileiro para o violino em diálogo com baixo elétrico e percussão.
O lançamento de “Capricho Maxixe” está marcado para o dia 21 de agosto e apresenta o segundo single de “Caprichoso Brasil”, álbum de estreia de Paloma como compositora, que chega às plataformas digitais em setembro. A faixa dá sequência a um projeto que investiga, de forma sistemática e criativa, como a linguagem da música de concerto pode se encontrar com ritmos populares brasileiros sem diluir nenhuma das duas tradições.
Inspirado na forma musical do capricho, historicamente associada ao virtuosismo instrumental, o álbum reúne 13 composições autorais de Paloma, cada uma dedicada a um ritmo ou tradição musical específica. Entram nesse repertório forró, baião, choro, maxixe, frevo, samba, milonga, maracatu, cavalo-marinho, xote, bossa nova e chacarera, desenhando um panorama diverso da identidade musical brasileira a partir do violino.
Em vez de apenas reproduzir características de cada ritmo, “Caprichoso Brasil” transforma essas tradições em linguagem para o violino, expandindo a escuta da música brasileira.
Em “Capricho Maxixe”, Paloma mergulha na vitalidade e na síncope do gênero, considerado fundamental na formação da música popular urbana do país. A composição transporta para o violino a energia dançante do maxixe, trabalhando articulações, acentos e fraseados que tensionam técnica e ritmo, sem perder a identidade brasileira que atravessa todo o projeto.
O resultado é uma peça em que virtuosismo e pulsação caminham lado a lado. O violino assume protagonismo e se coloca em diálogo com o baixo elétrico e com a percussão brasileira, criando uma sonoridade que aproxima o universo da música de concerto da experiência corporal dos gêneros populares. O maxixe deixa de ser apenas referência histórica e passa a operar como força viva dentro da escrita instrumental de Paloma.
“Capricho Maxixe” integra um álbum concebido a partir da ideia de transformar diferentes ritmos brasileiros em matéria-prima para a escrita instrumental contemporânea. Em vez de simplesmente reproduzir estruturas, fórmulas rítmicas ou clichês estilísticos, Paloma investiga como essas tradições podem ser incorporadas à linguagem do violino, abrindo novas possibilidades de escuta e de repertório para o instrumento.
Essa pesquisa artística se manifesta tanto na escolha dos ritmos quanto na forma de organização das peças. Cada composição articula memória popular e escrita de concerto, propondo uma escuta em que técnica, tradição e criação contemporânea se encontram. O projeto se coloca, assim, na fronteira entre o erudito e o popular, abrindo espaço para que o violino se aproxime da diversidade rítmica brasileira sem se afastar de sua complexidade formal.
Do violino solo ao álbum com formações diversas
Originalmente, “Caprichoso Brasil” foi concebido como um ciclo para violino solo. A ideia surgiu e se desenvolveu durante a residência artística de Paloma Pitaya na Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores, na Espanha, entre 2019 e 2020. Nesse contexto, a violinista aprofundou o diálogo entre repertório brasileiro e escrita para violino, construindo um corpo de obras que hoje ganha novas formas.
O projeto deu origem ao livro de partituras homônimo, publicado em 2026 pela Editora Ilustre. A publicação ultrapassou 100 exemplares vendidos já no primeiro mês e vem sendo incorporada ao repertório de violinistas em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para ampliar a circulação de música brasileira escrita para violino. Com isso, “Caprichoso Brasil” passa a existir também como material de estudo, performance e criação para outros músicos.
Para o álbum, Paloma decide expandir a concepção original das peças. O que nasceu para violino solo ganha novas cores e dimensões nos arranjos, com presença de sanfona, percussões brasileiras, violão e baixo elétrico. Algumas faixas aparecem em formações com quarteto de cordas, abrindo espaço para uma escrita camerística que mantém o violino em evidência sem deixar de explorar timbres coletivos.
O disco também conta com participações especiais, como o violonista Alessandro Penezzi e o bandolinista Danilo Brito, nomes ligados à pesquisa e à prática da música instrumental brasileira. Essas colaborações reforçam o caráter de diálogo que atravessa “Caprichoso Brasil”, aproximando a escrita de Paloma de artistas que também transitam entre tradição e experimentação.
“Capricho Maxixe” e o diálogo com a tradição popular
Na faixa “Capricho Maxixe”, o baixo elétrico de Ricardinho Paraíso e a percussão de Rafael Toledo, com pandeiro, coco e reco-reco, ampliam a dimensão rítmica da composição e estabelecem um diálogo direto com a tradição popular que inspira a peça. O violino se insere nesse ambiente como voz que, ao mesmo tempo, acompanha e tensiona a base rítmica, explorando novas possibilidades técnicas.
Essa combinação de instrumentos cria um espaço sonoro em que o maxixe pode ser escutado tanto na linha de baixo quanto nas células de percussão, enquanto o violino assume linhas melódicas virtuosísticas, ornamentos e variações que remetem ao capricho como forma musical. A faixa funciona como síntese de uma proposta maior: levar ritmos da memória popular brasileira para um contexto de escrita instrumental refinada, sem perder o caráter dançante e urbano.
“Caprichoso Brasil” é, assim, resultado de uma pesquisa artística sobre identidade musical brasileira. O projeto parte da pergunta sobre como diferentes manifestações populares podem dialogar com a escrita contemporânea e, ao mesmo tempo, contribuir para expandir o repertório do violino. Ao deslocar ritmos como forró, choro, frevo e maxixe para o universo do instrumento, Paloma constrói uma obra que atravessa fronteiras entre tradições e propõe novas formas de escuta para a música brasileira.
Trajetória e pesquisa de Paloma Pitaya
Paloma Pitaya é violinista, compositora e pesquisadora da música brasileira. Graduada em Violino pela Universidade Federal de Santa Maria, é especialista em performance pela Academia Internacional Galamian, na Espanha, e possui Artist Diploma em composição pela OAcademy. Sua formação combina estudo técnico aprofundado do violino com interesse contínuo pela música brasileira e pela criação autoral.
Paloma foi compositora residente da Fundación Antonio Gala para Jóvenes Creadores, onde desenvolveu o projeto “Caprichoso Brasil”. Sua trajetória inclui apresentações e atividades artísticas no Brasil, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Suécia, articulando experiências internacionais com pesquisa centrada em repertório brasileiro.
Premiada no Prêmio Profissionais da Música como Melhor Autora Instrumental (2023) e Melhor Instrumentista Erudita Feminino (2025), Paloma consolidou uma carreira que transita entre música de concerto, pesquisa e composição. O reconhecimento reforça o lugar de sua obra na cena da música instrumental brasileira contemporânea.
A artista integrou a Academia de Música da Osesp e realizou turnê pelos Estados Unidos com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, incluindo apresentação no Carnegie Hall. Estudou na Espanha e, atualmente, é spalla da Orquestra Sinfônica de Mato Grosso, posição que a coloca no centro da prática orquestral enquanto mantém seus projetos autorais e pesquisas em andamento.
Serviço
- Lançamento do single “Capricho Maxixe”: 21 de agosto
- Álbum “Caprichoso Brasil”: setembro (plataformas digitais)
- Pré-save “Capricho Maxixe”: https://tratore.ffm.to/rpl3nd5
- Instagram: @palomapitaya
- YouTube: https://www.youtube.com/@palomapitaya

