Os chás da vovó deixaram de ser apenas uma lembrança afetiva para se tornarem protagonistas de uma das principais tendências de bem-estar em 2026. Em meio à busca por equilíbrio e hábitos mais naturais, essas bebidas voltam ao cotidiano dos brasileiros, impulsionando o consumo de ervas e especiarias em diferentes regiões do país.
O movimento não acontece por acaso. Com a queda das temperaturas e a crescente preocupação com saúde e qualidade de vida, preparar um chá quente voltou a ser visto como um gesto simples, acessível e eficaz para cuidar do corpo e da mente.
Procura cresce com a chegada do frio
No Mercadão de Coqueiros, em Florianópolis, a mudança no comportamento do consumidor já é perceptível. A responsável pela loja Vita Naturale, Michelle Pereira da Silva, observa um aumento significativo na procura durante o outono, especialmente nos dias mais frios.
“Com o frio, sai muito chá de todos os tipos, desde os que ajudam a aquecer até aqueles que beneficiam a imunidade”, afirma.
A sazonalidade influencia diretamente nas escolhas. O chá deixa de ser apenas uma bebida ocasional e passa a ocupar um papel mais constante na rotina, seja para começar o dia, acompanhar a noite ou servir como pausa ao longo das atividades.
Ervas tradicionais lideram as escolhas
Entre os produtos mais procurados, destacam-se ervas com propriedades conhecidas e amplamente associadas ao cuidado com a saúde. O eucalipto aparece como um dos campeões de venda, especialmente entre consumidores que buscam alívio respiratório.
O guaco também se mantém entre os preferidos, muito associado a alternativas naturais para tosse e sintomas gripais. Já a erva-doce segue como uma presença constante, valorizada pelo auxílio à digestão.
Outra erva que ganha espaço é a malva, procurada por quem busca efeitos anti-inflamatórios e calmantes. A combinação entre tradição e funcionalidade ajuda a explicar a permanência desses itens entre os mais vendidos.
Sabores suaves reforçam o conforto emocional
Nem só de propriedades terapêuticas vive o crescimento desse mercado. Chás com sabores leves e aromáticos também conquistam espaço, especialmente entre consumidores que buscam bem-estar emocional.
“Maçã, camomila e capim-limão estão sempre entre os mais pedidos. São chás que as pessoas consomem ao longo do dia, porque trazem leveza e bem-estar”, explica Michelle.
Esse tipo de consumo revela uma mudança mais ampla: o chá passa a ser incorporado não apenas como solução pontual, mas como parte de um estilo de vida mais equilibrado e consciente.
Especiarias ganham protagonismo
Outro destaque nas prateleiras da Vita Naturale é o aumento da procura por especiarias. Ingredientes como canela, cravo, anis e cúrcuma vêm sendo cada vez mais utilizados tanto no preparo direto quanto em combinações personalizadas.
“Essas especiarias têm benefícios e ainda deixam o chá mais aromático. Muita gente leva para combinar em casa e criar seus próprios blends”, comenta Michelle.
A possibilidade de criar misturas próprias reforça a experiência individual do consumo, aproximando o público de um ritual mais artesanal e personalizado.
Um retorno às práticas simples
O avanço dos chás naturais reflete uma tendência maior: o resgate de práticas simples, acessíveis e carregadas de memória afetiva. Em um cenário marcado por rotinas aceleradas, o preparo do chá surge como um convite à pausa.
Mais do que aquecer o corpo, a bebida ganha um novo significado simbólico. Representa cuidado, presença e reconexão com hábitos que atravessam gerações.
Entre benefícios físicos e emocionais, os chás da vovó deixam de ser apenas tradição e assumem um papel atual, alinhado às demandas contemporâneas por saúde, equilíbrio e bem-estar.

