A busca por reprodução assistida entre casais homoafetivos cresce de forma consistente no Brasil, impulsionada por avanços tecnológicos e maior respaldo médico. Mais do que uma alternativa à infertilidade, as técnicas passaram a ocupar um papel central na construção de diferentes modelos de família.
Desde 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece formalmente o uso dessas técnicas por pessoas em relacionamentos homoafetivos, estabelecendo critérios éticos para procedimentos como a doação de gametas e o útero de substituição, conhecido como barriga solidária. Esse marco regulatório abriu caminho para uma demanda crescente que hoje reflete transformações sociais profundas.
Avanços tecnológicos impulsionam o acesso
O crescimento da procura não acontece isoladamente. Ele acompanha uma evolução significativa na medicina reprodutiva, que vem tornando os tratamentos mais seguros, eficazes e personalizados.
Segundo o especialista em reprodução humana Dr. Cesar Cornel, da Clínica Embryo/Fertgroup, tecnologias como a inteligência artificial aplicada à fertilização in vitro, a vitrificação de óvulos e a ampliação dos testes genéticos vêm transformando os resultados. Esses recursos permitem uma análise mais precisa dos embriões e reduzem riscos associados ao processo.
Na prática, isso significa maior previsibilidade e mais chances de sucesso para os pacientes, independentemente da configuração familiar.
Demanda cresce e revela novo perfil de pacientes
Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Em 2025, casais femininos foram responsáveis por 50% das importações de sêmen realizadas pelo LabSaúde Reprodutiva/Fertgroup para fertilização in vitro. O dado evidencia não apenas o protagonismo desse público, mas também a consolidação da reprodução assistida como um caminho viável e cada vez mais buscado.
O aumento da procura também é expressivo no longo prazo: houve crescimento de 33% em comparação com 2016. Esse avanço acompanha uma maior visibilidade social das famílias homoafetivas e a ampliação do acesso à informação sobre os tratamentos disponíveis.
Apesar disso, os caminhos percorridos por casais femininos e masculinos apresentam diferenças importantes, tanto em termos médicos quanto legais.
Como funciona a jornada de casais femininos
Para casais formados por mulheres, uma das primeiras decisões envolve quem será responsável pela gestação. Essa escolha leva em consideração fatores clínicos, como idade, histórico de saúde, reserva ovariana e condições uterinas, além de aspectos pessoais.
Uma das alternativas mais utilizadas é a fertilização in vitro compartilhada, também chamada de recepção de óvulos da parceira. Nesse modelo, as duas mulheres participam diretamente do processo.
Nesse modelo, ambas mulheres participam ativamente do processo: uma fornece os óvulos, enquanto a outra vivencia a gestação
O procedimento começa com o estímulo ovariano na parceira que fornecerá os óvulos. Após a coleta, os óvulos são fertilizados em laboratório com sêmen de doador, e o embrião resultante é transferido para o útero da outra parceira.
Outra possibilidade é a inseminação intrauterina (IIU), uma técnica mais simples em que o sêmen é inserido diretamente no útero durante o período fértil. Essa opção é indicada quando há boas condições de fertilidade.
Os desafios da jornada masculina
No caso de casais masculinos, o processo envolve necessariamente a participação de uma mulher que irá gestar o bebê. Pelas normas do CFM, essa mulher não pode utilizar seu próprio material genético, o que torna indispensável também o uso de um banco de óvulos.
Outro ponto importante é que a cedente do útero deve, preferencialmente, ter parentesco de até quarto grau com um dos parceiros. Situações fora dessa regra precisam de aprovação dos conselhos regionais de medicina.
Antes do tratamento, todos os envolvidos passam por avaliação médica detalhada. No caso dos homens, exames como o espermograma analisam a qualidade dos espermatozoides. Já a mulher responsável pela gestação é avaliada quanto às condições clínicas e ginecológicas.
A escolha sobre qual parceiro fornecerá o sêmen leva em conta tanto critérios médicos quanto decisões pessoais. A gestação pode ocorrer por fertilização in vitro ou inseminação intrauterina, dependendo das condições reprodutivas.
O papel dos bancos de gametas
Independentemente da configuração do casal, o uso de bancos de gametas é uma etapa central no processo. No Brasil, as normas determinam que a identidade dos doadores permaneça em sigilo, embora características físicas e informações de saúde possam ser consideradas na escolha.
Além disso, exames de compatibilidade genética são realizados para reduzir o risco de doenças hereditárias. Essa etapa reforça o caráter cada vez mais preciso e preventivo da medicina reprodutiva.
Com regulamentação consolidada e avanços científicos contínuos, a reprodução assistida segue ampliando possibilidades e redesenhando o conceito de família no país.
Serviço
- Fonte: Clínica Embryo/Fertgroup

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