Há 12 anos, a Gelateria São Paulo em Ubatuba adapta ambiente e equipe para pessoas com TEA — e agora lança o sabor permanente Abril Azul, feito com spirulina.
A história começa antes mesmo da gelateria existir do jeito que é hoje. Marjory, fundadora do negócio, recebeu a notícia que mudaria sua perspectiva sobre tudo quando sua filha Nina tinha apenas um ano: diagnóstico precoce de Transtorno do Espectro Autista. Depois, em um processo que ela mesma descreve como difícil e cheio de dúvidas, Marjory também foi diagnosticada — um diagnóstico tardio, descoberto após o nascimento da filha.
Dessa experiência nasceu algo concreto. As duas unidades da Gelateria São Paulo, localizadas nos bairros Itaguá e Praia Grande, em Ubatuba, foram sendo moldadas ao longo de doze anos para acolher pessoas neurodivergentes de forma real — não como discurso, mas como prática cotidiana.
Um ambiente pensado nos detalhes
Quem entra em uma das unidades percebe que as escolhas não são aleatórias. A iluminação foi ajustada. Os níveis sonoros são monitorados. Os sabores disponíveis têm identificação clara e objetiva, o que reduz a ansiedade na hora da escolha — um ponto que pode parecer simples, mas faz diferença significativa para quem está no espectro.
A equipe também recebeu orientação específica para o atendimento ao público neurodivergente. O foco está na comunicação direta e na previsibilidade da experiência: saber o que esperar de cada etapa do atendimento é uma forma de reduzir a sobrecarga sensorial e tornar o momento mais tranquilo.
O sabor que virou símbolo
Neste mês de abril, tradicionalmente associado à conscientização sobre o autismo, a gelateria deu mais um passo. O sabor Abril Azul passa a integrar o cardápio de forma permanente — não apenas como ação sazonal, mas como presença fixa ao longo do ano.
A receita combina baunilha bourbon, creme de leite fresco e leite com spirulina azul, uma microalga natural que empresta ao gelato a coloração característica da campanha. É uma composição que une sofisticação de ingredientes com intenção simbólica clara.
A voz de quem vive por dentro
“Receber o diagnóstico não foi e não é fácil, não existe romantização nesse processo. Foi difícil, trouxe muitas dúvidas e medos, mas também representou, de certa forma, um alívio por entender o que sempre vivi. A partir daí, meu foco passou a ser o de tornar a vida de pessoas com TEA mais leve, com mais acolhimento e empatia.” — Marjory, fundadora da Gelateria São Paulo
A fala de Marjory resume bem o que diferencia essa iniciativa de ações de marketing temático. Não há romantização, como ela mesma faz questão de dizer. Há trajetória, aprendizado e uma escolha deliberada de transformar experiência pessoal em impacto coletivo.
O contexto brasileiro amplia a relevância do que acontece em Ubatuba. O número de diagnósticos de TEA vem crescendo no país, e o debate sobre inclusão em espaços de convivência ganhou força. O Ministério da Saúde reforça a importância de ambientes com menor sobrecarga sensorial para favorecer a participação social de pessoas no espectro.
“Acredito que quanto mais informações sobre o assunto, mais fácil se torna a convivência entre pessoas com e sem o diagnóstico do espectro autista. Minhas ações têm sido nesse sentido”, conclui Marjory.
Serviço
- Gelateria São Paulo — Unidade Itaguá: Ubatuba, SP
- Gelateria São Paulo — Unidade Praia Grande: Ubatuba, SP
- Sabor Abril Azul: disponível permanentemente no cardápio

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