Cine BNDES 2026 transforma o auditório do Espaço Cultural BNDES em vitrine semanal para oito longas brasileiros patrocinados pelo Banco, com sessões gratuitas às quartas-feiras, sempre às 18h30.
A temporada parte de uma seleção pública realizada no ano passado e coloca em tela produções recentes do cinema nacional, em um recorte que atravessa comédia, drama, suspense e documentário. As exibições são gratuitas, por ordem de chegada e sujeitas à lotação do espaço, em um circuito contínuo que se estende de 19 de agosto a 7 de outubro.
Ao longo de oito semanas, o público acompanha desde narrativas de assalto e caos doméstico até reflexões sobre racismo estrutural, memória do Carnaval, trajetória de uma voz negra da Bossa Nova e dilemas de um Brasil em futuro próximo marcado pela inteligência artificial. Os longas selecionados integram a carteira de obras patrocinadas pelo BNDES em editais específicos para o setor audiovisual.
“Os editais do BNDES para seleção de patrocínio cultural oferecem oportunidades para produtores, artistas e profissionais do audiovisual em todo o país. São contemplados filmes de diferentes gêneros e linguagens, que refletem a diversidade da cultura brasileira, e passam a ter o Banco como aliado em sua trajetória. Recentemente, dois filmes patrocinados conquistaram o Prêmio Grande Otelo de Cinema”, destacou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A fala do presidente do BNDES insere o Cine BNDES 2026 em uma estratégia mais ampla de apoio ao audiovisual, na qual o patrocínio se conecta tanto à circulação dos filmes em festivais e prêmios quanto à oferta de sessões para o público em um espaço cultural próprio do Banco, no Centro do Rio de Janeiro.
Oito semanas de cinema brasileiro em foco
Na abertura da temporada, em 19 de agosto, o destaque é Velhos Bandidos (2026). No longa, um casal de idosos decide realizar um assalto a banco e se alia a um casal de jovens assaltantes, enquanto um investigador obstinado acompanha seus passos. A comédia de ação é estrelada por Fernanda Montenegro e Ary Fontoura e tem classificação indicativa de 14 anos.
Na semana seguinte, em 26 de agosto, a tela recebe Criadas (2025). O reencontro de primas desencadeia uma reflexão profunda sobre memória, ancestralidade e o impacto do racismo, abordando o colorismo em uma trama dramática. O longa marca a estreia de Carol Rodrigues na direção de longas-metragens e conta com Mawusi Tulani e Ana Flávia Cavalcanti no elenco. A classificação indicativa é de 14 anos.
Em 2 de setembro, o documentário O Ano em que o Frevo Não Foi Pra Rua (2024) rememora o silêncio histórico do Recife durante o cancelamento do Carnaval de 2021 em decorrência da pandemia de COVID-19. O filme registra a dor do hiato nas ruas e acompanha a retomada cultural posterior da dança e do ritmo, com classificação indicativa de 10 anos.
A sessão de 9 de setembro traz a comédia Um Pai em Apuros (2026). Quando a mãe decide tirar férias e deixa o marido sozinho com os cinco filhos, a casa se converte em um cenário de tarefas acumuladas e confusões cotidianas. O filme dirigido por Carolina Durão tem classificação indicativa de 12 anos.
Suspense, memória negra e futuros possíveis
No dia 16 de setembro, o suspense Eclipse (2025) aproxima ciência, família e tecnologia. Grávida, a astrônoma Cleo recebe a visita inesperada de Nalu, sua meia-irmã de origem indígena. A convivência reacende memórias perturbadoras e conduz as duas a uma jornada humana que alcança camadas sombrias da deep web. Estrelado por Djin Sganzerla, o longa reúne no elenco Sérgio Guizé, Selma Egrei, Helena Ignez, Luís Melo, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce, Pedro Goifman e Julia Katharine, com classificação indicativa de 16 anos.
Em 23 de setembro, o foco se volta para a música com A Noite de Alaíde (2026), documentário biográfico sobre a trajetória e o legado de Alaíde Costa, ícone negro da Bossa Nova. A obra discute o apagamento histórico de artistas negros pelo mercado fonográfico e acompanha a preparação da cantora, aos 90 anos, em direção a apresentações em palcos americanos. A classificação indicativa é de 12 anos.
Encaminhando a temporada para o desfecho, 30 de setembro é a data de exibição de Futuro Futuro (2026). Vencedor do Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem no Festival de Brasília, o filme dirigido por Davi Pretto imagina um Brasil em futuro próximo, no qual a inteligência artificial integra o cotidiano e uma síndrome neurológica afeta a população. A classificação indicativa é de 16 anos.
Fechando o ciclo, em 7 de outubro, o público assiste a Pequenas Criaturas (2025). Premiado com o Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio, o longa acompanha uma família em processo de adaptação em Brasília durante os anos da redemocratização, em uma narrativa centrada em afeto e pertencimento. O elenco inclui Carolina Dieckmann e Caco Ciocler, com classificação indicativa de 16 anos.
Edital em curso amplia alcance do audiovisual
Paralelamente à realização do Cine BNDES 2026, um novo edital do BNDES está em andamento para selecionar 15 longas-metragens a serem patrocinados. A iniciativa também prevê apoio a três festivais de cinema nacionais, com potencial para movimentar o setor de turismo e serviços. As inscrições se encerraram na quinta-feira, 13, e registraram 371 pedidos de patrocínio para filmes e 41 para festivais.
Esse edital incorpora um dispositivo de reserva de vagas pelo critério de “indução regional”, destinado a proponentes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal. A medida busca desconcentrar geograficamente os investimentos em patrocínio para o setor audiovisual e ampliar o alcance da política de apoio.
Do total de inscrições recebidas, concorrem nesse critério específico 134 filmes e 17 festivais. A combinação entre a mostra no Espaço Cultural BNDES e o novo ciclo de seleção evidencia a tentativa de articular a exibição de obras já patrocinadas com a formação de uma próxima safra de produções e eventos de cinema em diferentes regiões do país.
A programação completa do Cine BNDES 2026 pode ser consultada no site do Banco, incluindo datas, sinopses e detalhes de cada sessão:
Serviço
- Data: De 19 de agosto a 7 de outubro, sempre às quartas-feiras.
- Horário: Sessões às 18h30, com abertura do auditório para o público a partir das 18h.
- Local: Espaço Cultural BNDES.
- Endereço: Av. República do Chile, 100, Centro, 20031-917, Rio de Janeiro, RJ.
- Entrada: Gratuita, por ordem de chegada e sujeita à lotação do espaço.

