O enoturismo brasileiro atingiu maturidade comercial expressiva ao responder por mais de um terço do faturamento das vinícolas participantes de um estudo inédito, cenário que agora expõe a urgência por qualificação técnica profissional.
A transformação das propriedades rurais em complexos de hospitalidade e lazer começou a alterar a estrutura de receita do setor vitivinícola nacional. Dados de uma amostragem inicial conduzida pela Escola de Enoturismo mostram que a atividade turística representa, em média, 34,7% do faturamento total dos empreendimentos mapeados.
O enoturismo já é negócio. Quando vinícolas recebem mais de 1,2 milhão de visitantes e a atividade responde por mais de um terço do faturamento, estamos falando de uma economia que precisa ser sustentada por pessoas qualificadas.
A radiografia reúne informações de 51 vinícolas espalhadas por seis unidades federativas: Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Juntas, essas empresas contabilizam 1.223.482 visitantes anuais e mantêm 834 postos de trabalho diretos dedicados exclusivamente à recepção e condução turística.
O peso do turismo na receita das vinícolas
Os números apresentados durante o 1º Fórum de Enoturismo das Américas, realizado em 13 de agosto, demonstram realidades diversas entre os produtores de vinho. A participação da atividade no faturamento geral varia de 1% a 98% conforme o perfil do negócio, com impacto proporcionalmente maior sobre as empresas de pequeno porte.
Entre os empreendimentos participantes do levantamento estão Adega Chesini, Almadén, Amana, Bonventi, Cainelli, Casa Perini, Chandon, Cooperativa Aurora, Cooperativa Garibaldi, Cordilheira de Sant´Ana, Courmayeur, Cristofoli, Dal Pizzol, Don Giovanni, Face Norte, Floresta de São Pedro, Foppa & Ambrosi, Franco Italiano, Fritzen, Garbo, Gaudio, Geisse, Góes, Guatambu, Guaspari, Hermann, Larentis, Lemos de Almeida, Leone Di Venezia, L’Origene, Madre Terra, Mena Kaho, Merum, Miolo, Monte Agudo, Monte Chiaro, Paraizo, Peterlongo, Salton, Seival, Serra do Sol, Somacal, Terranova, Terra Nossa, Torcello, Valmarino, Viapiana, Vinha Duarte, Villa Triacca, Vinícola Campestre e Vivalti.
Gargalo operacional e busca por especialistas
O principal obstáculo apontado pelas vinícolas no levantamento não é a falta genérica de candidatos, mas a escassez de profissionais com preparo técnico específico para atender a uma demanda cada vez mais exigente e diversificada.
Com a ampliação das operações para restaurantes próprios, hotelaria, vivências nos vinhedos e eventos culturais, as lacunas de contratação se concentram em áreas estratégicas:
- Atendentes especializados em enoturismo e equipes extras de fim de semana
- Profissionais com fluência em inglês e espanhol
- Cargos de liderança e gestão de operações turísticas
- Equipes dedicadas a gastronomia, restaurantes, higiene e limpeza
Expansão de cursos e mapeamento permanente
A pesquisa foi desenvolvida pelos especialistas Ivane Remus Fávero, Lucinara Masiero e Artur Tremper Farias para servir como ferramenta contínua de diagnóstico setorial, já que o Brasil não contava com dados unificados sobre a mão de obra no segmento.
Após concluir a primeira formação presencial no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, a instituição dá início no dia 17 de agosto à sua primeira turma em formato online, visando descentralizar o treinamento e preparar equipes em diferentes regiões vitivinícolas do país.



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