Em 19 filmes e três sessões gratuitas, a mostra CTAv 40 Anos ocupa a Cinemateca Brasileira e recoloca em cena a memória do audiovisual brasileiro
O aniversário de 40 anos do Centro Técnico Audiovisual ganha forma de mostra e de reencontro com a própria história do cinema nacional. Entre os dias 20 e 22 de maio, a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, recebe a programação gratuita sempre às 19h30, reunindo 19 curtas-metragens organizados em três sessões temáticas.
A celebração não é simbólica por acaso. Criado em maio de 1985 a partir de uma cooperação entre Brasil e Canadá no âmbito da Embrafilme, e sediado no Rio de Janeiro, o CTAv se consolidou como uma das principais estruturas públicas de apoio ao audiovisual brasileiro. Ao longo de quatro décadas, a instituição atuou em áreas decisivas como suporte técnico, preservação de acervos, formação profissional e incentivo à produção independente, sobretudo de curtas e médias-metragens.
Agora, ao lado da Cinemateca Brasileira, o centro transforma essa trajetória em programação pública. A mostra CTAv 40 Anos aproxima duas instituições vinculadas à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e reforça, na prática, um compromisso conjunto com memória, formação e fortalecimento do cinema brasileiro.
Três recortes para contar uma trajetória
A mostra foi estruturada em três eixos. Cada um deles destaca uma dimensão diferente da atuação do CTAv: o pioneirismo na animação, a preservação de materiais históricos e o apoio técnico dado a obras independentes que circularam pelo Brasil e pelo exterior.
No dia 20 de maio, a sessão Primeiras Animações resgata um momento-chave da história da animação brasileira. O programa revisita o impacto da parceria com o National Film Board do Canadá e do 1º Curso de Animação Embrafilme/NFB, realizado em 1985, experiência que reuniu jovens animadores de várias regiões do país e ajudou a formar uma geração decisiva para o setor.
Entre os destaques está “Quando Os Morcegos Se Calam”, de Fábio Lignini, obra premiada como melhor animação no Festival de Hiroshima e como melhor curta de animação no Festival de Havana. A sessão também reúne títulos como “Em Nome da Lei”, “Informística”, “Presepe”, “Noturno”, “Instinto Animal” e “Viagem de Ônibus”, além de “Medo de Quê?”, trabalho de 2025 assinado pela turma da Escola Municipal Felix Mieli Venerando.
Memória preservada em filmes históricos
A sessão de 21 de maio volta o olhar para a dimensão patrimonial do CTAv. O programa Filmes Históricos apresenta uma seleção de obras e registros preservados pela instituição, herdeira direta de acervos fundamentais para a história das políticas públicas do audiovisual no Brasil, como os do INCE, do INC, da Embrafilme e da Fundação do Cinema Brasileiro.
Esse recorte ajuda a medir o peso histórico do centro. Mais do que guardar filmes, o CTAv preserva testemunhos da vida política, cultural e artística do país, reunindo materiais que documentam diferentes momentos do cinema brasileiro ao longo do século 20.
Na tela, esse patrimônio aparece em títulos como “Jornada Kamayurá”, de Heinz Forthmann, “Carmen Miranda”, de Jorge Ileli, “Brasilianas – Música Folclórica Brasileira”, de Humberto Mauro, “Álbum de Música”, de Sérgio Sanz, e “Perto de Clarice”, de João Carlos Horta. O conjunto atravessa nomes centrais da cultura brasileira e mostra como a preservação audiovisual também é uma forma de manter vivas essas presenças.
O apoio à produção independente
No encerramento, em 22 de maio, a mostra destaca outra vocação histórica do CTAv: o suporte contínuo à produção audiovisual independente. Ao longo de sua trajetória, o centro contribuiu com coproduções, empréstimo de equipamentos, cessão de imagens de acervo e serviços especializados de edição, montagem, mixagem, finalização e transfer.
Esse trabalho de bastidor teve consequência direta na circulação de filmes brasileiros em festivais. A sessão Filmes Apoiados reúne exemplos concretos desse alcance, como “Barbosa”, dirigido por Ana Luíza Azevedo e Jorge Furtado e estrelado por Antônio Fagundes, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem de ficção no Festival de Havana.
Também integra o programa “Como Se Morre no Cinema”, de Luelane Loiola Corrêa, eleito melhor curta-metragem no Festival Biarritz Amérique Latine, na França. Ao lado dele, aparecem “De Janela Pro Cinema”, de Quiá Rodrigues, e “Marina Não Vai à Praia”, de Cássio Pereira dos Santos, compondo um panorama da relevância técnica e cultural do CTAv para realizadores de diferentes momentos.
Ao reunir essa produção na Cinemateca Brasileira, a mostra faz mais do que celebrar um marco institucional. Ela evidencia como a continuidade de equipamentos públicos, a formação técnica e a preservação de acervos seguem no centro de qualquer projeto consistente para o audiovisual brasileiro.
Serviço
- CTAv 40 Anos
- 20 a 22 de maio de 2026, às 20h30
- Cinemateca Brasileira – largo Senador Raul Cardoso 207, Vila Mariana – São Paulo
- Entrada franca




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