Duas décadas de pesquisa em dança negra contemporânea chegam ao palco em uma turnê que conecta ancestralidade, território e urgências sociais.
A Cia Treme Terra inicia a celebração de seus 20 anos com uma temporada em São Paulo, no Sesc 24 de Maio, entre 16 e 19 de julho de 2026. No repertório, dois trabalhos que sintetizam sua trajetória: Florestas de Odé e Terreiro Urbano, obras que articulam dança contemporânea e culturas afro-brasileiras.
“Florestas de Odé aborda trabalhadores submetidos às condições de violência, exploração e opressões que formam o alicerce da sociedade brasileira oriundo da colonização.”
A temporada marca o início de uma circulação nacional que passa por Amazonas, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Em cada cidade, a companhia realiza apresentações gratuitas, oficinas de Dança Negra Contemporânea, exibições do documentário Danças Negras e rodas de conversa com os diretores João Nascimento e Firmino Pitanga.
Entre a floresta e a cidade, o corpo como território
Inspirado na mitologia de Oxóssi, Florestas de Odé constrói uma ponte entre ancestralidade e temas contemporâneos como desmatamento e racismo ambiental. A figura do “caçador urbano” emerge como metáfora para trabalhadores atravessados por diferentes formas de exploração nas grandes cidades.
A obra nasce de uma pesquisa estética baseada no corpo negro em diáspora, articulando memória ancestral e cotidiano. O resultado são imagens coreográficas que tensionam passado e presente, propondo uma leitura crítica da formação social brasileira.
Já Terreiro Urbano, criado em 2011, parte do xirê e da mitologia dos orixás para investigar a presença do sagrado na vida urbana. Com dança, música ao vivo e referências às manifestações afro-brasileiras, o espetáculo aborda identidade, memória e pertencimento. Ao longo dos anos, acumulou mais de 100 apresentações no Brasil e no exterior.
Formação, escuta e circulação
A circulação amplia o alcance artístico com ações formativas e reflexivas. As oficinas de Dança Negra Contemporânea e as exibições do documentário Danças Negras propõem um espaço de troca entre público e artistas.
O filme reúne depoimentos de nomes como Kabengele Munanga, Makota Valdina, Raquel Trindade, Lia Robatto, Helena Katz, Clyde Morgan, Edileusa Santos e Carlos Moore, aprofundando o debate sobre a presença da arte negra na contemporaneidade.
Todas as atividades contam com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras nas apresentações e rodas de conversa, além de audiodescrição e legendas no documentário.
Com trajetória que inclui apresentações na Alemanha, Bulgária e Bolívia, a companhia acumula reconhecimentos como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.
Serviço
- Temporada em São Paulo – Sesc 24 de Maio
- Florestas de Odé: 16 e 17 de julho de 2026, às 20h
- Terreiro Urbano: 18 e 19 de julho de 2026, às 15h

